No Cine Ceará, os políticos Las Cruces e Mariposa Negra

Um massacre na guerra civil da Guatemala e a corrupção no Peru de Alberto Fujimori são os temas de dois dos concorrentes do evento de Fortaleza

Agencia Estado

07 de junho de 2012 | 03h38

Um massacre na guerra civil daGuatemala e a corrupção no Peru de Alberto Fujimori são os temasde dois dos concorrentes do Cine Ceará 2007 - Las Cruces, deRafael Rosal, e Mariposa Negra, de Francisco Lombardi. Ambossão filmes políticos e debatem uma das características daAmérica Latina, a transformação da política em tragédia. Masesse talvez seja o único ponto de convergência entre eles. Todoo resto os separa, a começar pela experiência dos dois diretores Rosal faz seu primeiro longa de ficção, Lombardi apresenta seu14.º trabalho nesse gênero. Essa diferença de estrada percorridase expressa no que se vê na tela. O noviciado de Rosal torna seufilme um tanto ingênuo. A experiência de Lombardi se traduz emnarrativa sólida, embora pouco inventiva.Las Cruces é uma aldeia prestes a ser destruída pelo Exércitoda Guatemala em 1986, durante a guerra civil. Um grupo de seteguerrilheiros tenta convencer a população a resistir, dentro dalinha da Realpolitik, que manda estabelecer uma posição de forçapara conseguir um termo de rendição melhor. Quer dizer, trata-sede uma guerra perdida, em razão da desproporção de forças.Luta-se assim mesmo.Há certa ingenuidade na maneira como os tipos são caracterizados e a linguagem parece bastante televisiva, sem explorar aspossibilidades do cinema. Não chega a ser um filme marcante, enem se encontra nele aquele frescor cheio de erros, mas tambémde ousadia, que redime algumas obras de iniciantes.Já com Lombardi o problema é inverso. Não se engana quem ocoloca entre os melhores cineastas da América Latina. Bastalembrar do seu buñuelesco Caídos del Cielo, ou Boca de Lobo,sobre o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, ou o belo thrillerBajo la Piel, ou mesmo o popular e eficiente Pantaleão e asVisitadoras.Era Fujimori Mariposa Negra conta uma história da época deFujimori e seu assecla Vladimiro Montesinos. Uma professora estánoiva de um juiz, mas este aparece assassinado, com sinais detortura. Uma jornalista, empregada em um jornal sensacionalista,publica uma reportagem na qual se diz que o juiz morreu em meioà orgia de uma festa gay. Gabriela, a noiva, decide investigar amorte do noivo, na estranha companhia da jornalista que escreveua reportagem difamatória. A história pretende ser uma descidaaos infernos da corrupção e dos meios que ela encontra para seinfiltrar nos meios político, policial e judicial. Algo familiara toda a América Latina e, por que não?, a outras partes domundo também.Mas falta clima, essa entidade de difícil definição, mas sem aqual o cinema não funciona. Fica difícil entender os movimentosda noiva em busca de vingança. Mais ainda os motivos dajornalista, que a acompanha e assessora. São jovens demais einocentes demais para os papéis que têm de representar. Tudoparece muito artificial. Mais do que isso, bastante convencional do ponto de vista cinematográfico.Homenagem Entre um concorrente e outro, o Cine Ceará prestousua homenagem à atriz e cantora Vanja Orico, conhecida por suaparticipação em O Cangaceiro, de Lima Barreto, entre outrosfilmes. Vanja, que cantou com a platéia do Cine São Luís, teverápida passagem pelo cinema italiano. Canta Meu Limão, MeuLimoeiro em Mulheres e Luzes, longa de estréia de FedericoFellini em parceria com Alberto Lattuada.

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