No chão do quintal, um produto gourmet

Hoje, as sementes são usadas apenas para extração de manteiga, que é fornecida à indústria de cosméticos

O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 10h35

Minha experiência mais profunda com o cupuaçu começou em Acrelândia, no Acre. A vizinha da casa onde fiquei tinha um pé de cupuaçu no quintal. E diariamente podiam ser recolhidos mais de dez frutos sob a árvore. Geralmente, eles ficavam no chão, apodrecendo até as sementes germinarem. Outras árvores podiam ser vistas pela cidade na mesma situação, em terrenos baldios.

Saindo de Acrelândia, um pouco depois da divisa de Rondônia no vilarejo de Nova Califórnia, que pertence a Porto Velho, fica a sede da cooperativa do Projeto Reca, que processa palmito pupunha e cupuaçu, entre outros produtos. O interessante é que a cooperativa começou com um grupo de migrantes do Sul que foram perdendo o interesse em cultivar produtos de sua cultura de roça, como feijão e soja.

Chegaram à conclusão de que seria produtivo e sustentável lidar com as plantas da floresta amazônica com forte potencial econômico, como cupuaçu, pupunha, açaí e castanha.

Hoje, centenas de associados trabalham em sistemas agroflorestais e o cupuaçu tem o maior destaque. A cooperativa processa toda fruta recebida dos cooperados. A fruta é transformada em polpa congelada ou sementes secas para extração de manteiga, como é chamada a gordura branca, de consistência firme como manteiga de cacau.

Infelizmente, nem as amêndoas nem a gordura são destinadas à alimentação. A manteiga vai para a indústria de cosméticos e o que sobra das sementes vira adubo ou ração animal.

Solução artesanal. Mas as amêndoas talvez pudessem ser trabalhadas artesanalmente para que usássemos em pequenas quantidades. Duzentos, 300 gramas bastam para decorar um doce, aromatizar uns biscoitos, dar uma graça ao sorvete. Já que os cooperados podem fazer geleias, biscoitos, bombons e outros produtos artesanais para vender em consignação na loja do projeto, umas amêndoas de cupuaçu já descascadas ou em pó seriam um produto gourmet da melhor espécie.

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