NO CENTRO DO SEU 1º MUSICAL

Fotografia, escultura, instalações, escultura, vídeos, escrita e arquitetura não foram suficientes para o multifacetado Ai Wei Wei. Aos 55 anos, ele se prepara para ser o protagonista de seu primeiro musical.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2013 | 02h12

"É muito difícil, mas é pleno de alegria", disse o artista, que escreve as letras das canções que interpretará. "É sobre a minha vida, os eventos atuais, o mesmo que faço com as fotografias. É sempre sobre mim."

Ai Wei Wei vive imerso em universo de manifestações pessoais de caráter artístico e político. A casa onde vive e trabalha foi desenhada por ele. Em uma das paredes de seu estúdio há um imenso painel com os nomes dos 5.196 estudantes vítimas do terremoto de Sichuan tirados do anonimato por sua insistência.

É inevitável traçar um paralelo entre ele e seu pai, o poeta modernista Ai Qing, que apoiou a Revolução Comunista e, como muitos intelectuais, foi perseguido por Mao Tsé-tung a partir do fim dos anos 1950. "Meu pai era um espírito livre, um poeta, que foi colocado na prisão e mandado para uma forma de exílio por 20 anos em Xinjiang", disse o artista, em referência à província do extremo oeste do país onde passou parte da infância.

A maioria dos chineses desconhece, mas seu gênio está presente em um dos maiores símbolos da emergência do país: o Ninho de Pássaro, o estádio que foi o centro da Olimpíada de Pequim de 2008.

Apesar de seu confronto com o governo, ele afirmou que não se arrepende de ter participado da concepção da obra, ao lado dos arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron. "Mas sinto uma grande tristeza pela maneira como usam o edifício. Nunca o viram como algo para a população ou a cidade, mas como um instrumento de propaganda."

A chegada de uma nova geração de líderes ao comando do Partido Comunista não reduziu seu ceticismo quanto à possibilidade de abertura política na China. "Como podem se retirar de cena puxando a própria orelha?", perguntou. "Enquanto eles não permitirem a existência de outro poder, eles sempre ganharão. Mas, no fim, eles perderão por sempre ganhar. Não existe criatura na História que tenha sempre ganho com o uso da força." / C.T.

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