No Carnaval de Veneza, os ricos se divertem mais

O chefe de Estado de um país do Golfo fantasiou-se de cardeal católico no Carnaval de Veneza no fim de semana, escondendo sua identidade por trás de uma máscara. Ele foi um dos 400 convidados do Ballo del Doge, a festa mais exclusiva do Carnaval de Veneza, onde há séculos chefes de Estado e cidadãos comuns se misturam, todos fantasiados. "Ele é um sultão. Isso, sim, é transgressão", comentou Antonia Sautter, 50 anos, criadora de fantasias venezianas que lançou o Ballo del Doge 15 anos atrás. "Escondido por trás da máscara e da fantasia, você pode soltar aquela voz interior que quer quebrar todas as regras." A festa extravagante de Sautter é uma entre várias promovidas durante os 12 dias do Carnaval de Veneza que procuram recriar a opulência do século 18, uma época decadente na qual a elite de Veneza gastava fortunas com festas e jogos de azar, deixando seu império militar e comercial às moscas, até Napoleão conquistar a cidade, em 1797. Os bailes de máscaras que varam a noite e acontecem em hotéis de luxo e palácios particulares às margens do Grand Canal custam mais de 400 euros (595 dólares) por pessoa e prometem toda espécie de liberdades. O baile Casanova, que ganhou o nome em homenagem ao célebre playboy veneziano, convida as pessoas a "esquecer o cotidiano e deixar vir à tona os anseios secretos de seu coração". Outra festa é promovida como um evento em que "quase tudo é permitido", trazendo à tona imagens do baile de máscaras visto em "De Olhos Bem Fechados", de Stanley Kubrick. Membros de famílias reais podem misturar-se com pessoas comuns num baile de máscaras -- uma das convidadas do Ballo del Doge era uma princesa malaia --, mas o dinheiro ainda é a chave que abre todas as portas. Para entrar no Ballo del Doge é preciso pagar 800 euros, sem contar os milhares de euros gastos no aluguel de uma fantasia obrigatória dos anos 1700. O ateliê de Sautter estava agitado dois dias antes da festa, com funcionários ajudando clientes com suas fantasias repletas de pérolas e cristais, que podem levar semanas para ser costuradas à mão e valem milhares de euros. Um joalheiro de Nova York certa vez exigiu diamantes reais em sua fantasia, pela qual pagou 50 mil dólares.

MATHIAS WILDT, REUTERS

06 Fevereiro 2008 | 17h54

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