No Carnaval da Bahia, a camiseta faz o folião

Esqueça a fantasia. A peça dovestuário mais importante no Carnaval da Bahia é a camiseta.Simples e sem plumas, ela determina o tipo de Carnaval que ofolião vai pular. Dependendo da camiseta que se veste, pode-se acompanhar umdos blocos mais animados do Carnaval, usufruindo da proteçãodas cordas, ou mesmo brincar ao lado de artistas famosos noscamarotes exclusivos. Sem camiseta de blocos ou de camarotes, ofolião tem como única opção passar o Carnaval no meio damultidão sem qualquer proteção ou conforto. "Pular Carnaval sem camiseta, nem a pau. As mulheres estãodentro das camisetas", afirma o empresário de Brasília DanielOliveira, 29 anos. Algumas camisetas --como os chamados abadás que dão acessoaos blocos-- podem ser vendidas por até 900 reais. Já aquelasque servem de entrada para os camarotes mais disputados, como oExpresso 2222 e o de Daniela Mercury, são reservadas aosconvidados. "A maior briga do Carnaval de Salvador é a tal dacamiseta", avalia Flora Gil, mulher do ministro da Cultura,Gilberto Gil, e responsável pelo camarote Expresso 2222,localizado no circuito Barra/Ondina, na orla marítima. SEM-CAMISETA POR OPÇÃO Há ainda, entre os que pagam pela peça e os que têm a honrade serem convidados a vestir uma, aqueles que a ignoram epreferem se perder no meio da multidão, na chamada pipoca, ondea folia é mais intensa. Em outra categoria de "acesso" ao Carnaval de Salvador, bemmais restrita, estão os que podem dispensar a camiseta ouqualquer outra forma de passe. Neste grupo se enquadram osartistas famosos e políticos. "Se o Caetano Veloso chegar aquiele entra, mesmo não estando de camiseta", explica acoordenadora-geral do camarote da Daniela Mercury, Nil Pereira. A camiseta se popularizou como passaporte no Carnaval porfacilitar a identificação de pessoas no meio da multidão e porser mais um espaço de exposição das marcas das empresaspatrocinadoras da festa. Ainda não há um cálculo de quantas são produzidas paraabastecer os seis dias de folia no Carnaval da Bahia, mas nãohá dúvidas de que o negócio envolve grandes somas. "Quem ganha no Carnaval da Bahia é quem faz camisetas", dizFlora. Somente no Expresso 2222, 1.500 camisetas sãodistribuídas por dia para convidados e funcionários. "Meu sonhoé fazer um camarote só com crachá (de identificação) para queas pessoas possam vir chiquérrimas." As camisetas podem ser de tecido sintético e barato, comoas dos cordeiros --homens e mulheres que ganham 20 reais pordia para fazer a segurança dos blocos-- ou ainda desenhadas porestilistas famosos. Da mais simples àquelas com mais estilo, contudo, nenhumaestá livre de ser cortada, furada ou enfeitada. "Quero tirar agola, cortar as mangas e um pouco do cumprimento, mas não muitoporque a minha barriguinha ainda não está pronta paraaparecer", explica Ana Helena, alagoana de 35 anos, na fila deespera de costumização de camisetas no camarote de DanielaMercury.

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