'No Brasil, eu não teria a vida que tenho'

Filha de professora de balé, a recifense Aurora faz parte do mundo da dança desde criança. Ex-aluna do Bolshoi, em Joinville, foi 3.º lugar no YAGP 2007. Desde então, passou por Cisne Negro e São Paulo Companhia de Dança. Hoje, bailarina do Washington Ballet, se prepara para fazer dois papéis principais em Giselle.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h13

Como foi a sua experiência no Youth America Grand Prix?

Soube do concurso em 2006, quando a brasileira Isabela Maylart ganhou e gerou furor no Brasil. Quando participei, o YAGP já era grande, mas acho que nos últimos anos ganhou mais visibilidade.

Após o concurso, fui selecionada para dançar na gala. Foi um presente, bem no dia em que completei 19 anos. Lembro-me de estar com grandes bailarinos, como Aurélie Dupont, e pensei "estou dividindo o palco com essas pessoas incríveis!". Foi aí que percebi que era possível chegar lá.

Que convites surgiram após a sua participação?

Ainda durante a seletiva em São Paulo, recebi um convite para a Companhia Nacional de Bailado, de Portugal. Não aceitei, porque o grupo focava apenas em contemporâneo, e eu queria investir também em clássico. Em Nova York, o diretor do Washington Ballet me chamou para um curso de verão. Fiz as aulas e, depois, acabei ficando por lá.

Como você vê as políticas de dança do Brasil?

O Brasil tem poucas companhias que dão uma boa condição de vida aos bailarinos. Aqui nos EUA há muito mais vagas. Se eu continuasse morando aí, não teria a vida que tenho hoje. Vejo que o número de bailarinos tem crescido, mas as oportunidades não acompanham. Faltam incentivos do governo e mobilização das pessoas. Qualidade o brasileiro tem, mas, sem dinheiro, não dá para fazer nada. /M.B.

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