No bastidor do Vaticano

Uma sátira política e religiosa, que divide opiniões e provocou protestos no Vaticano: assim é Habemus Papam, o novo filme de Nanni Moretti, o diretor de Caro Diário e O Quarto do Filho. Premiadíssimo no exterior, Moretti é conhecido na Itália por discutir os temas da atualidade de maneira muito criativa e, em geral, engraçada. No entanto, o caráter tragicamente humano de um religioso é o que sobressai neste Habemus Papam.

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h11

Seu personagem é um cardeal vivido pelo grande Michel Piccoli que, no conclave, acaba eleito para suceder ao papa morto. Aceita. Mas a responsabilidade lhe pesa demais e não consegue ir à sacada da residência papal, na Praça São Pedro, em Roma, para saudar a multidão. Um psicanalista ateu (o próprio Moretti) é convocado para levar o novo papa a vencer a sua inibição.

Nesse filme suntuoso, muito bem realizado, a angústia (do papa) convive com o riso quando o psicanalista encontra um método singular para divertir os outros cardeais enquanto o impasse não se resolve. Tudo é muito bom, do roteiro imaginativo às imagens excepcionalmente bem construídas por Moretti. Mas nada supera a interpretação marcante de Piccoli, patético em sua pungente humanidade de alguém escolhido para uma tarefa além de suas forças. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

HABEMUS PAPAM

Direção: Nanni Moretti (Itália/França/2011, 102 min.). Elenco: Michel Piccoli, Nanni Moretti e Margherita Buy. Estreia na sexta.

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