No balanço do mar

Cruzeiros com shows de artistas populares se multiplicam pela costa

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

 

 

Exaltasamba. Formato de shows em navios serviu bem à carreira dos artistas populares com seus fãs abnegados

 

   Imagine passar quatro dias num cruzeiro ouvindo exclusivamente o repertório de Claudia Leitte. Ou Luan Santana. Ou Alexandre Pires. Tem quem pague até R$ 1.700 para embarcar num navio se esses ou outros nomes da música popularíssima brasileira cantarem a bordo. A beleza do trajeto - Búzios-Santos, por exemplo, é uma rota frequente - é o de menos: o importante é estar "confinado" ali com o ídolo, seja ele paixão de uma vida inteira ou a sensação do momento.

Luan Santana tem 19 anos, mal começou a carreira e já tem um cruzeiro com seu nome. Além dele, para o período que vai de dezembro a março de 2011, a Olympia Cruzeiros, que está se especializando nesta modalidade de "turismo musical", programou com a MSC, líder no setor no Brasil, viagens temáticas com "estrelas do alto escalão do sertanejo e do samba": Daniel, Alexandre Pires, Exaltasamba e as duplas Jorge & Mateus e Zezé Di Camargo & Luciano.

Zezé e Luciano fizeram duas edições com a empresa. No último verão, bateram um recorde mundial de passageiros embarcados, 3.800, conta Egil Greto, gerente operacional da Olympia. "Colocamos os pacotes à venda num show deles no Credicard Hall e em dois dias vendemos 500 cabines", ele lembra. "Já contávamos com isso. O maior sonho do fã é estar perto do ídolo. O show no navio é intimista, a pessoa frequenta o mesmo espaço do artista. Quem é fã de sertanejo adora, tem duplas tocando e cantando só isso o dia inteiro. E, para o artista, é a consagração."

No exterior, anualmente são realizados cruzeiros temáticos de todo tipo (focados em malhação, dança, religião...). Os musicais podem ser para os aficionados por jazz, gospel, rock, música clássica ou country - nos Estados Unidos, tem até navio dedicado a Elvis Presley e a Frank Sinatra, com shows de imitadores. No fim do ano e em 2011, os grupos Backstreet Boys e New Kids On The Block e os roqueiros do Sister Hazel estão entre os artistas que se lançarão ao mar.

O Rei. Entre nós, a referência maior é o cruzeiro de Roberto Carlos, que conta seis edições e é tratado pelos produtores como "um case de sucesso". Na abertura do seu, em dezembro passado, antes de botar duas mil pessoas para tirar o pé do navio, Claudia Leitte brincou: "Estou me sentindo o próprio Roberto Carlos!" A inspiração já serviu também a Fábio Jr.

O Emoções Em Alto Mar é o mais caro entre seus pares: a suíte mais luxuosa do transatlântico Costa Serena passa de R$ 7 mil. Casais e famílias são o público, que em geral esgota a lotação do navio comprando os pacotes com um ano de antecedência. Boa parte dos passageiros parcela o pagamento em cinco vezes.

Cinco refeições incluídas, lojas, salões de beleza, piscinas, bares, restaurantes, academia, cassino - não são poucas as atrações dos cruzeiros. O momento mais esperado por todos, no entanto, aquele para o qual é destinada a roupa mais caprichada da mala, é o show do artista, naturalmente. O lugar na plateia depende da cabine comprada - quanto mais cara, mais na frente é a fileira.

Segundo Ricardo Amaral, presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), as primeiras viagens temáticas surgiram no Brasil nos anos 90. O momento é mesmo de boom. Mais de 850 mil brasileiros terão pisado num desses navios até dezembro (a taxa de crescimento é de 33% ao ano). Amaral acredita que "ter um cruzeiro já virou objeto de desejo dos artistas."

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