No auge, Companhia Brasileira de Teatro arrisca-se em um novo trabalho

Análise: Renata encontra um dos mais inventivos e consistentes grupos do cenário atual

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S. Paulo,

01 de novembro de 2012 | 19h52

Não é difícil entender por que Renata Sorrah caiu de amores pela Companhia Brasileira de Teatro. Para além da escolha do repertório, a atriz sempre teve faro para cercar-se de grandes encenadores. Iniciou sua trajetória pelas mãos de Amir Haddad. Trabalhou com Sérgio Britto, Gabriel Villela, João das Neves.

Ao aproximar-se, neste momento, do diretor Marcio Abreu, Renata encontra um dos mais inventivos e consistentes grupos do cenário atual. Reconhecido esta semana com o Prêmio Bravo! de melhor espetáculo do ano, o coletivo parece estar no ponto alto de sua sempre ascendente trajetória, iniciada em 2002. Mesmo sediada em Curitiba, fora do hegemônico eixo Rio-São Paulo, a cia. firmou-se nos últimos anos ao entregar uma sequência de espetáculos notáveis: Vida (2010), Oxigênio (2010) e o recente Isso Te Interessa? (2011). Encenações de textos contemporâneos, que cumpriram a relevante tarefa de revelar ao País autores como o russo Ivan Viripaev e a francesa Noëlle Renaude.

Vale chamar a atenção para o fato de a atual Esta Criança debruçar-se sobre o mesmo tema que impulsionava a premiada Isso Te Interessa? Mas, ao contrário do que poderia sugerir, a escolha não se traduz em uma busca por segurança ou continuidade. Assim como em seu último trabalho, a nova montagem examina o interior de uma família, mira intersecções e desencontros entre pais e filhos. Tudo agora, porém, está a soar ainda mais cru, mais seco.

Surpreendentemente, diretor e seus atores surgem distanciados de várias das questões que vinham pesquisando. Quando a predileção por um teatro narrativo, que recusava a representação, estava próxima de se tornar marca registrada, é hora de tomar o caminho inverso. Negar credos. Mais do que apegada a técnicas ou correntes estéticas, a Cia. Brasileira de Teatro mostrou-se sempre devotada ao risco. E essa fé - no que é instável, perigoso, imprevisível - persiste.

 

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