Niura Bellavinha exibe em mostra tons sutis do crepúsculo

Pouco antes do anoitecer - ou mesmo pouco antes de amanhecer -, a vista pela paisagem do Rio (entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Arpoador) ou por outras paisagens tem uma mudança sutil, da luz. "É o momento de interstício, de um olhar para dentro", diz a artista Niura Machado Bellavinha, completando que, por segundos, já uma vista não é mais a mesma. Pintura é silêncio, luz e tempo e escolher a observação do crepúsculo como mote para a sua nova série de obras é, digamos, uma escolha mais do que natural. No caso da exposição que Niura inaugura hoje na Galeria Nara Roesler, a mostra recebeu como título o termo Lusco-Fusco - e essa experiência se faz com o azul. É ele - em suas mais de centenas tonalidades - que impregna o espaço da galeria, é o azul que está presente em todas as telas de Niura. Uma "pulsação diferente" acontece, já que em trabalhos anteriores o protagonista era o vermelho - em 2003 a artista "pintou" de vermelho, com refletores, a superfície da Lagoa (e dessa experiência fez outras obras) e, em 2002, na mostra Pintura a Seco, na mesma galeria, era a cor que predominava na instalação com sacos com pigmentos e plásticos). Agora, nas telas, o azul entra por meio de faixas, num movimento horizontal de cruzamentos de tonalidades (inclusive o vermelho faz parte, mas aparece como resquício). A artista nunca usa a tinta preta e nunca a branca - o branco que faz parte das composições são pedaços que deixa transparecer da tela de linho. Cada obra tem uma construção própria e a partir delas "podemos pensar na importância do silêncio entre um verso e outro de um poema", como escreve a crítica Luisa Duarte sobre a mostra. Niura Bellavinha. Galeria Nara Roesler. Av. Europa, 655, 3063-2344. 10h/19h (sáb., 11 h/15 h; fecha dom.). Grátis. Até 20/5. Abertura hoje (18), 20 horas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.