Niemeyer vai construir centro cultural na Espanha

O arquiteto Oscar Niemeyer, de 98anos, assinou hoje com o presidente da região de Astúrias (norte da Espanha), Vicente Alvarez Areces, um acordo para construir um centro cultural.Niemeyer, conhecido por sua aversão a voar, lembrou em declarações à imprensa que, em toda a sua vida, só passou um dia na Espanha e que este trabalho lhe dará a "oportunidade de conhecer" o país."Vou a começar a voar", disse o arquiteto momentos após assinar o acordo para a construção do centro cultural da Fundação, que abrigará o museu dos Prêmios Príncipe de Astúrias.Niemeyer afirmou que este projeto, cujo custo foi avaliado inicialmente em 24 milhões de euros (US$ 28,8 milhões), é "muito importante" para ele porque admira muito a Espanha e pela "possibilidade de fazer uma coisa diferente", que marcará o seu trabalho na Europa.O arquiteto, conhecido principalmente pela construção deBrasília, projetou também vários edifícios em outros países, entre eles o Museu de Arte Moderna de Caracas, a sede do jornal L´Humanité e do Partido Comunista na França e a sede da editora Mondadori, em Milão.O projeto asturiano será a primeira obra na Espanha do arquiteto, que em 1989 se absteve de viajar a Oviedo para receber o prêmio Príncipe de Astúrias das Artes.PolêmicaA construção do centro na cidade de Avilês causou uma polêmica entre o Governo asturiano e o prefeito de Oviedo, a capital regional, Gabino de Lorenzo, que pretendia recebê-lo em sua cidade. Ao ser perguntado se poderia desenvolver o mesmo projeto em algum outro lugar, Niemeyer respondeu com uma negativa e explicou que cada um de seus projetos se inscreve no entorno para o qual foi desenhado, o qual faz parte da arquitetura."A arquitetura sempre tem uma explicação", disse, dando comoexemplo o Museu de Arte Moderna de Niterói. "Eu cheguei, vi o mar, vi as montanhas, vi uma paisagem fantástica que devia serpreservada", acrescentou, para explicar que quis fazer o mesmo com o projeto para Astúrias, uma região visitada por sua equipe de colaboradores antes de ele iniciar o desenho.O arquiteto lembrou que, quando foi a Le Havre (França) paraedificar uma praça, resolveu construí-la quatro metros abaixo do nível do solo para protegê-la dos ventos."Cada lugar tem a solução adequada", ensinou, insistindo que "o espaço faz parte da arquitetura" e que um estudo do entorno precede sempre e determina cada um de seus trabalhos.O presidente de Astúrias, por sua vez, destacou que a construção do centro cultural por Niemeyer é motivo de celebração não só para a sua região, mas para toda a Espanha, por tratar-se de um "grande acontecimento". Ele considerou que o centro será "a figura de proa" de um projeto mais amplo de transformação urbana e dará esperança a uma cidade "que sofreu muito com a industrialização".A assinatura do acordo foi feita no estúdio do arquiteto, no Rio de Janeiro, em cujas paredes estavam pendurados os desenhos do museu. Ele terá uma grande estrutura em forma de concha para o auditório e um segundo elemento arquitetônico, unidos por uma espetacular passarela ondulada.A equipe de arquitetos de Niemeyer viajará este mês para trabalhar no terreno. Sobre os prazos de construção, Álvarez brincou com a construção de Brasília, que levou de 1957 a 1963, embora tenha sido inaugurada em 1961. "Eu gostaria de comemorar o centenário de Niemeyer com umagrande festa em Astúrias, a inauguração do museu e com sua presença", disse.

Agencia Estado,

06 de março de 2006 | 22h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.