Niemeyer projeta quadra da Vila Isabel

O arquiteto Oscar Niemeyer apresentou hoje a maquete do projeto para a construção da nova quadra da escola de samba Unidos de Vila Isabel, na zona norte. Pela concepção do projeto, a área de 3 mil metros quadrados, que serviu de garagem da extinta Companhia de Transportes Coletivos (CTC), terá um centro cultural, com teatro subterrâneo para 300 lugares, biblioteca e salas de aula. A quadra terá ainda um teto retrátil, que será aberto em noites de calor. "Tive muito prazer em fazer o projeto. Estou muito satisfeito em poder contribuir com a alegria do povo", declarou o arquiteto, que disse ser apaixonado por música.Na presença do presidente de honra da escola, o cantor e compositor Martinho da Vila, e do presidente da escola, Evandro Nascimento, Niemeyer foi recepcionado pela bateria do mestre Mug, exibição do mestre-sala Leonardo e da porta-bandeira Carla, além de um pequeno grupo de baianas. O arquiteto até ensaiou alguns passos. Ele disse que já perdeu a conta da quantidade de projetos que já executou, entre eles dois voltados para o Carnaval: o sambódromo, em 1983, e os carros alegóricos da Mangueira, em 1981, quando a escola homenageou Juscelino Kubistchek. Niemeyer precisou de apenas três dias para elaborar e passar sua idéia para o papel.O projeto foi um presente do arquiteto para a escola. Agora, a direção da Vila Isabel está lutando para conseguir verbas junto à iniciativa privada para a construção da nova quadra, que será a mais moderna da cidade. "É difícil, principalmente levando em conta que a escola está no grupo de acesso, mas não impossível", afirmou Martinho. "Todo comércio do bairro já se comprometeu a ajudar, até porque será uma melhoria para todos, com valorização dos imóveis", argumentou o presidente de honra, Evandro Nascimento. Ele disse que vários contatos já foram feitos com empresários e, segundo ele, as negociações estão avançadas. "É a realização de um grande sonho meu e toda comunidade", completou Martinho, de quem partiu a idéia da construção do centro cultural. O encontro do arquiteto com Martinho, de quem partiu a idéia do centro cultural, que teve ainda a colaboração do escritor Ferreira Gullar.Antes que as obras comecem, porém, a lei do vereador Paulo Lerri (PFL), que tombou o terreno, em 1998, precisará ser mudada, já que proíbe alterações na parte interna da área. O próprio veredeador, no entanto, garante que não será difícil mudar a lei. Ele contou que pediu o tombamento do antigo terreno da CTC foi uma medida tomada para impedir que fosse vendido para uma cadeia de supermercados.

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