Niemeyer projeta novo MAC para mudar o Ibirapuera

Arquiteto vai substituir o atual Detran pelo Museu de Arte Contemporânea da USP

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h17

São Paulo vai ganhar até 2009 algo parecido com a conhecida ilha dos museus no coração de Berlim (a Museuminsel), um complexo arquitetônico que concentra as principais instituições museológicas da metrópole alemã e o mais visitado pelos turistas estrangeiros. O novo projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, que vai substituir o atual Detran pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), começa a tomar forma em fevereiro, quando têm início as obras de adaptação do prédio, no Ibirapuera. Niemeyer, por telefone, de sua casa, no Rio, falou sobre o projeto ao Estado, que publica no estadão.com.br uma galeria dos croquis do arquiteto para o novo museu, projetado para ocupar um espaço expositivo de 21 metros quadrados, sem contar a área verde a ser incorporada ao novo MAC com a saída do Detran, a ocupação de seus anexos (mais 5 mil metros quadrados) e o terreno a ser conquistado com a demolição de construções irregulares. O projeto prevê a transformação da área que circunda o museu num amplo parque cujos limites são definidos pelo vizinho prédio do Instituto Biológico. Também existem estudos para uma ligação direta com o outro lado do parque do Ibirapuera, onde funcionam a Bienal, o Museu de Arte Moderna (MAM), a Oca e o Museu Afro-Brasil. Assim irmanados, eles seriam como os museus de Berlim, onde se pode ver desde o Pergamon, que concentra obras da antiguidade clássica, até a Alte Nationalgalerie, cujo acervo reúne peças do século 19. O governo do Estado já pediu ao escritório de Oscar Niemeyer um estudo para o parque do MAC e pretende promover a integração desse com as instituições existentes no Ibirapuera, segundo o secretário-adjunto da Cultura Ronaldo Bianchi. A obra de adaptação do novo Museu de Arte Contemporânea da USP vai consumir cerca de R$ 30 milhões e será totalmente custeada pelo governo do Estado, segundo Bianchi. A manutenção do museu, que vai manter suas outras instalações na Cidade Universitária, continuará sob responsabilidade da USP. Diretora do MAC, a socióloga e crítica Lisbeth Rebollo Gonçalves diz que a manutenção das duas sedes vai permitir à instituição reservar a da Cidade Universitária para trabalhos de pesquisa acadêmica e a nova para a exibição do acervo, em torno de 8 mil obras -10 mil, se consideradas as duas coleções em comodato, a do falecido marchand Marcantonio Vilaça e a do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, cujas obras estão sob a guarda do museu. Coleção ´escondida´ Boa parte da coleção do MAC, que tem obras de Modigliani, Morandi, Picasso, De Chirico, Chagall, Max Bill, Anita Malfatti e Brecheret, entre outros grandes artistas, é praticamente desconhecida até dos freqüentadores habituais do museu. Somando as exposições das duas sedes do museu hoje existentes (a do campus da USP e a que ocupa parte do prédio da Bienal de São Paulo) nunca foi possível mostrar mais de 1% desse acervo. Com 20 mil metros quadrados de área expositiva, o novo MAC parte para a conquista de um novo público. Sua diretora anuncia grandes mostras para a inauguração, uma delas reunindo obras das vanguardas históricas e outra sobre a experiência abstracionista no Brasil, cujo advento coincide justamente com a criação da Bienal (1951) e do próprio museu (fundado em 1948). A função educativa do museu continuará prioritária, segundo Lisbeth Rebollo, mas ela pretende também marcar o MAC como espaço de lazer. Museus devem fortalecer sua vocação para a filiação, não para a exclusão, defende, em apoio à tese de Bourdieu. Numa era marcada pela espetacularização da cultura e a expansão do mundo virtual, ela quer atrair os jovens com uma proposta educacional que não dispense o uso de computadores e intervenções de arte-educadores. O arquiteto Oscar Niemeyer tampouco mostra-se avesso à tendência atual de ver o museu não como um templo, mas um lugar de encontro, dinâmico, que incorpore todas as mídias e atraia o público com projetos arquitetônicos ousados (como o Guggenheim de Frank Gehry em Bilbao). "Hoje o museu tem um amplo campo de exploração e uma forma de chamar a atenção do público é pela beleza", justifica. "Um museu tem de ser simples e bonito", resume. Algumas modificações, diz, foram introduzidas no projeto de remodelação do prédio do Detran desde que apresentou o primeiro esboço ao governador José Serra e ao secretário estadual da Cultura, João Sayad. A fachada de vidro será tapada e haverá uma rampa para descida (no croquis original haveria também um elevador externo, mas o arquiteto optou pela manutenção dos atuais, internos). Construído em 1954, o edifício central do Detran tem três prédios anexos que vão funcionar como área administrativa, reserva técnica e ateliê.

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