Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Niemeyer é velado no Rio de Janeiro

Portões do Palácio da Cidade foram abertos ao público às 8h30; enterro ocorre às 17h30

Heloísa Aruth Sturm e Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo - Atualizado às 15h20

07 de dezembro de 2012 | 05h29

RIO DE JANEIRO - Os portões do Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio na zona sul, foram abertos por volta das 8h30 desta sexta-feira para visitação do público ao velório de Oscar Niemeyer, falecido na noite de quarta-feira, 5, aos 104 anos. Inicialmente prevista para as 8h, a abertura dos portões atrasou meia hora, porque os organizadores esperaram a chegada da família do arquiteto.

O velório, aberto aos populares até as 15h, segue fechado para parentes e amigos até as 17h. Nesse horário o corpo deixa o Palácio em cortejo rumo ao cemitério São João Batista, onde o enterro deve ocorrer às 17h30.

Nesta manhã, minutos antes do início da visitação pública, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o governador, Sérgio Cabral, e seu vice, Luiz Fernando Pezão, aproximaram-se do caixão, onde permaneceram por cerca de 2 minutos.

O caixão com o corpo de Niemeyer está fechado e isolado, por motivos de segurança. Os visitantes ficam a uma distância de cinco metros. Somente familiares e amigos podem permanecer dentro da área restrita. O velório ocorre no saguão principal do palácio.

Entre as muitas coroas de flores enviadas ao velório do arquiteto e ex-militante comunista, destacam-se as homenagens dos irmãos Fidel e Raul Castro. Cada um enviou uma coroa. Fidel lembrou "o incondicional amigo de Cuba Oscar Niemeyer", e o irmão Raul, o "querido amigo Niemeyer". 

Fidel assinou a lembrança como "comandante em chefe Fidel Castro Ruiz". Seu irmão assina a coroa como "general Raul Castro". Uma terceira coroa de flores foi enviada pelo embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez.

O engenheiro Giorgio Veneziani, de 86 anos, que trabalhou com Niemeyer na construção da Catedral de Brasília, foi ao Palácio da Cidade prestar homenagem ao arquiteto. Ele falou da convivência entre os dois.

"Quando eu estudava na Itália, Niemeyer já era uma referência. Estivemos juntos muitas vezes e tivemos outros pontos de convergência, como o socialismo. E isso nos aproximava ainda mais.  Ele me chamava de amigo e companheiro", diz o engenheiro, acrescentando que fez o revestimento de mármore de todos os palácios de Brasília projetados pelo amigo.

Na quinta-feira, 6, o corpo de Niemeyer foi velado no Palácio do Planalto, em Brasília. Ao todo, 44 coroas de flores foram dispostas no salão - de Marisa Letícia e Lula, do governo da Bolívia, de Fidel Castro, da Ambev, do PC do B (uma homenagem ao "grande camarada comunista") e até do Comando da Aeronáutica.

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