Niemeyer "brinca" de escultor

O arquiteto Oscar Niemeyer, lenda da arquitetura moderna e um dos últimos comunistas ortodoxos do mundo, inicia, aos 92 anos, uma carreira de escultor. "É só uma brincadeira. Alguns projetos que desenhei há muito tempo e agora decidi realizar", explica ele.São cinco obras, entre três e oito metros de altura, algumas em concreto e outras em metal, que serão apresentadas em exposição a partir de 15 de julho, no Leme. É uma exposição absolutamente inédita para o arquiteto: "Ocasionalmente me pediam para fazer esculturas de conteúdo político, mas nunca me senti um escultor. O que fazia eram obras para expressar minha solidariedade a grupos e idéias políticas", lembra Niemeyer, citando um monumento que construiu para recordar a luta do MST. As obras de agora, entretanto, não têm conteúdo político: "São desenhos abstratos que tinha na cabeça".Niemeyer, que tem mais de 600 obras arquitetônicas espalhadas pelo mundo, se autointitula "pequeno escultor", apesar de a menor das esculturas produzidas para a exposição ter três metros de altura, e insiste: "São apenas desenhos abstratos que tinha colocado num papel. Só mandei fazer em concreto porque os amigos insistiram".Na próxima quinta-feira, ele vai inaugurar uma exposição de desenhos arquitetônicos em Buenos Aires, através de teleconferência. E entre os projetos que está executando, está um complexo de vinte edifícios em Niterói. Os prédios estarão compondo um corredor - que receberá o nome de Caminho de Niemeyer - a partir do Museu de Arte Moderna da cidade, que ele projetou e construiu há cinco anos.

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