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'New York, New York' volta em cartaz e conta com presença do autor do original

Produção brasileira é o primeiro musical no mundo a utilizar o texto de Rauch como ponto de partida

UBIRATAN BRASIL - O Estado de S.Paulo,

14 de agosto de 2012 | 03h10

O escritor americano Earl Mac Rauch acompanhava tudo, maravilhado: a orquestra afinando os instrumentos, os bailarinos se aquecendo, os atores passando o texto. "O que me interessa é ver um espetáculo bem brasileiro, apesar da inspiração em minha obra", disse ele ao Estado. Rauch estava no Teatro Sérgio Cardoso, às vésperas de um ensaio do musical New York, New York, inspirado em seu livro - o mesmo que originou o conhecido filme de Martin Scorsese, com Liza Minnelli e Robert De Niro. O espetáculo reestreia reformulado na sexta-feira.

A produção brasileira é o primeiro musical no mundo a utilizar o texto de Rauch como ponto de partida, o que deixou o americano estupefato. "Desde 1977, quando surgiu o filme, ninguém mais se interessou em fazer qualquer tipo de adaptação, portanto, eu já não contava mais." A surpresa aconteceu quatro anos atrás, quando Rauch recebeu um e-mail do maestro e produtor Fábio Gomes de Oliveira propondo a versão nacional. Com o sinal verde do americano, Oliveira iniciou a produção, que conta com a direção-geral de José Possi Neto.

A trama tem o mesmo ponto de partida que o longa de Scorsese - logo depois de encerrada a 2.ª Guerra Mundial, a cantora Francine Evans (Kiara Sasso) conhece o saxofonista Johnny Boyle (Juan Alba), iniciando uma turbulenta relação. "Basicamente, termina aí a semelhança com o filme", comenta Possi Neto. "Afinal, enquanto no cinema a trama é mais dramática e um tanto violenta (como gosta o Scorsese), nossa produção é mais leve e repleta de alegria e bom humor."

Ele promoveu uma série de mudanças no espetáculo, desde sua estreia em abril do ano passado, quando iniciou uma vitoriosa temporada. A começar pelo elenco principal - Alessandra Negrini será substituída por Kiara Sasso no papel de Francine. Assim, se perde força no humor, o espetáculo ganha com a presença de uma das melhores intérpretes do musical brasileiro. "Com Kiara, a Francine tornou-se mais romântica", observa Possi, que alterou também diversos números coreográficos.

Outra mudança mexeu na estrutura da história: Possi havia criado um papel especialmente para Simone Gutierrez, atriz versátil e extremamente engraçada. Com sua ausência, extinguiu-se também a gerente do hotel que persegue Francine e Boyle a fim de cobrar uma conta de hospedagem. "Tudo existia para explorar o carisma da Simone - sem ela, espalhei suas cenas entre outros personagens", conta Possi.

É bom lembrar que o encenador e o diretor musical tiveram plena liberdade na construção da história. "Incentivei muito isso", observa Rauch. "Eu só queria que fossem mantidos um certo clima noir (afinal, a história se passa no final dos anos 1940, no pós-guerra) e o happy end."

Com carta branca, os criadores até colocaram um toque nacional, quando Carmen Miranda canta trechos de três canções, como Let's Do the Copacabana. O papel é um desafio para Juliane Daud - com formação no canto clássico, ela precisou se adaptar ao popular. "Pedi para que ela não copiasse a Carmen, o que não seria difícil", comenta Possi. "O que eu queria era uma versão dela da Bombshell." O resultado é divertido, em que Carmen surge no palco sem grande histrionismo, mas com vivacidade.

Apesar de mais enxuto (agora tem 30 minutos a menos, totalizando duas horas), o espetáculo mantém o espírito original ao oferecer um generoso panorama do melhor da canção americana entre as décadas de 1940 e 1960. Assim, ao mesmo tempo em que acompanha a atribulada relação entre Francine e Johnny, o espectador é brindado com um retrato musical do momento marcado pelo fim da era das big bands, relembradas pelos sucessos de Tommy Dorsey, Benny Goodman e Glenn Miller, entre outros grandes bandleaders.

O repertório, executado por uma banda de 14 músicos, é maravilhoso e inclui standards como An American in Paris, Blue Moon, My Way, Bebop, The Man I Love, Mr. Sandman e, claro, New York New York. "O público adora porque gosta de entretenimento", comenta Possi. "É diferente daquele que se interessa apenas por teatro."

Por tudo isso, o escritor Earl Mac Rauch estava maravilhado. Apesar de não entender o idioma português, admirou-se com a sonoridade. "Incrível como há uma melodia nas palavras que se encaixa perfeitamente em um musical", disse ele que, antes de acompanhar os ensaios, iniciou a fase turística, visitando o Mercado Municipal. "Preciso voltar mais vezes a este País."

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