'New York New York' relembra tempo das big bands

Parecia brincadeira e por pouco o escritor americano Earl Mac Rauch não deletou um e-mail recebido há três anos em que um produtor brasileiro apresentava um projeto de transformar a principal obra de Rauch, "New York New York", em um musical. "Depois da versão para o cinema feita por Martin Scorsese em 1977, não acreditei que alguém voltasse a se interessar pela história", conta Rauch que, passada a desconfiança, aceitou o desafio proposto pelo maestro Fábio Gomes de Oliveira. O resultado poderá ser visto a partir de hoje, no teatro Bradesco, onde "New York New York" inicia temporada.

AE, Agência Estado

14 Abril 2011 | 09h31

O ponto de partida é o mesmo do longa de Scorsese: logo depois de encerrada a 2.ª Guerra Mundial, a cantora Francine Evans (Alessandra Maestrini) conhece o saxofonista Johnny Boyle (Juan Alba), iniciando uma turbulenta relação. "Basicamente, termina aí a semelhança com o filme", comenta o diretor José Possi Neto. "Afinal, enquanto no cinema a trama é mais dramática e um tanto violenta (como gosta o Scorsese), nossa produção é mais leve e repleta de alegria e bom humor."

Na verdade, o musical teria apenas dois personagens se se reduzisse à história de amor entre Johnny e Francine - o próprio diretor notou esse detalhe e, a fim de aproveitar o potencial do elenco de 29 atores, bailarinos e cantores, decidiu criar números musicais para unir as cenas. "Com isso, tanto permite que os atores principais troquem o figurino como possibilita que o restante do elenco mostre seu talento."

O resultado é um belo panorama pelo melhor da canção americana entre as décadas de 1940 e 1960. Ou seja, ao mesmo tempo em que o espectador acompanha a instável relação do casal central, observa também o fim da era das big bands, relembradas pelos sucessos de Tommy Dorsey, Benny Goodman, Glenn Miller, entre outros grandes bandleaders. O mote é um convite para a execução de um maravilhoso repertório, executado por uma banda de 25 músicos, que inclui "An American in Paris", "Blue Moon", "My Way", "Bebop", "The Man I Love", "Mr. Sandman" e, claro, "New York New York". A seleção até inclui um momento brasileiro, quando Carmen Miranda canta "Let?s Do the Copacabana".

A coreografia é outro grande trunfo do musical - criada por Anselmo Zola, traz exemplos de grandes momentos exibidos no cinema, especialmente os que exigem grande vigor e habilidade física, um verdadeiro tour de force dos dançarinos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

New York New York - Teatro Bradesco (Rua Turiassu, 2.100). Tel. (011) 4003-1212. 5ª, 21 h; 6ª, 21h30; sáb., 17 h e 21 h; dom., 19 h. R$ 20/ R$ 170. Até 3/7.

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