New York Fashion Week pós-atentados é modesta

Faixas penduradas ao longo da SétimaAvenida dizem: "Ajude a recuperação, veja um desfile." Assim,em clima de reconstrução, Nova York vive sua primeira temporadafashion depois da que foi interrompida pelos atentadosterroristas de 11 de setembro. Em versão reduzida, o eventoconhecido como 7th On Sixth reúne alguns dos principaisestilistas da cidade e tenta reaquecer o mercado de moda emtempos de vacas magras. Como resultado: desfiles com menoscelebridades, coleções mais conservadoras, um esquema desegurança mais forte, poucas festas e o fim da atitude blasé.No Bryant Park, na região de Midtown, em Manhattan, é ondeocorre a maioria dos 26 desfiles da temporada (um número bempequeno, em comparação aos 68 da estação passada e aos quase 100da anterior). São apenas duas salas, com capacidade reduzida eum policiamento maior do que em edições passadas. O PuckBuilding, na badalada região de NoLIta, tem outros três espaçosalternativos. Sob patrocínio da Mercedes Benz e organizada pela empresa degerenciamento de talentos IMG, a semana de moda tem uma área deconvivência bem modesta, principalmente se comparada àsdimensões recentes do São Paulo Fashion Week na Bienal do Parquedo Ibirapuera.Mas a indústria da moda tenta fazer a sua parte para reaquecer omercado. Além das faixas afixadas por uma associação de lojistas a imprensa dedica bom espaço para o evento e os canais de TV acabo continuam transmitindo os desfiles na íntegra. No desfilemasculino de Tommy Hilfiger, que abriu a temporada na manhã desexta-feira, o clima era de "volta às aulas": no lugar deeditoras de moda com ar entediado falando em telefones celulares havia compradores e profissionais de diferentes cidadesconversando sobre a situação do mercado.Nas passarelas, ironicamente, os destaques são os nomes que vêmda Europa: Nicholas Ghesquiere (o prodígio da Balenciaga, quemostra na quarta-feira um preview da coleção em uma galeria dearte), Jeremy Scott (americano que fez todos os desfilesanteriores em Paris), Luella Bartley e Matthew Williamson. Masos compradores de lojas como Barney´s e Saks Fifth Avenue tambémestão mostrando apoio por novos nomes, em especial BehnazSarafpour, Alice Roi, Alvin Valley e Zac Posen.Um dos eventos aguardados é o relançamento, hoje, de uma coleçãoespecial do estilista Stephen Burrows, organizada por Andre LeonTalley, o braço-direito da editora da "Vogue" americana, AnnaWintour, na badalada loja de departamentos Henri Bendel.Considerado um dos mais importantes designers americanos dosanos 70 e elogiado por Yves-Saint Laurent e Karl Lagerfeld,Burrows tinha uma concorrida loja dentro da Henri Bendel, masnão conseguiu se sustentar financeiramente durante os anos 90.Ele volta agora em versão moderna, com o apoio dos maiores nomesda moda, como Marc Jacobs.Em termos de tendências, o concenso é geral: o outono de 2002nos Estados Unidos (as roupas mostradas esta semana começam aser vendidas em setembro) ainda vai trazer o reflexo dosatentados terroristas, com o público querendo roupas querepresentem as atitudes atuais ("romântica", "boêmia" e"inocente"). Entre os primeiros desfiles da temporada, houvequase nenhuma ousadia: em tempos de crise, poucos estilistasquerem arriscar.Hilfiger, por exemplo, abandona de vez seu público street einveste no universitário conservador com uma coleção inspiradaem um "fim de semana em New England". Puff Daddy tenta sedistanciar dos conceitos de "sexy" e "provocante" mostrandouma coleção da Sean John feita para mauricinhos. Até aperformática Imitation of Christ, que fez um desfile na casa deleilões Sotheby´s, deixou para trás a reciclagem exclusiva depeças de brechós para mostrar uma coleção romântica, com longosvestidos brancos esvoaçantes.

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