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New Order refaz banda e desembarca em São Paulo

Amaldiçoados pelo ex-baixista Peter Hook, britânicos são atração do Ultra Music Festival. A tecladista Gillian Gilbert falou ao 'Estado'

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h06

Dez anos após deixar de excursionar com o New Order para cuidar da filha, Grace, que desenvolveu uma doença complicada, a tecladista Gillian Gilbert volta à banda que integrou a partir de 1980.

No começo, o retorno foi anunciado apenas como uma forma de a banda levantar dinheiro para ajudar um amigo doente, Michael Shamberg. Mas Gillian disse ao Estado que é mais que isso, devem seguir adiante por algum tempo. Tocam no dia 3, no Ultra Music Festival, no Anhembi, em São Paulo.

Gillian volta, e Peter Hook (a quem se credita grande parte do som distinto da banda, e está excursionando com seu projeto solo The Light) sai fora. O baixista não gostou da história. "Todo mundo sabe que New Order sem Peter Hook é como o Queen sem Freddie Mercury, o U2 sem The Edge, Sooty sem Sweep", afirmou. Bernard Sumner, o vocalista e chefe da trupe, não se abalou. Com essa formação, e já fizeram alguns shows e a formação tem Sumner, Stephen Morris, Phil Cunningham e Tom Chapman no baixo. Eles tocaram recentemente no Ancienne Belgique, em Bruxelas, na Bélgica, e incluíram canções como Ceremony, Elegia, Crystal, Regret, Love Vigilantes e o clássico do Joy Division Love Will Tear Us Apart.

Esse é um retorno definitivo, ou só uma turnê?

É um retorno. Obviamente, eu não sei no que dará, por que eu não tocava havia uma década. Mas tem sido especial voltar a fazer parte de uma banda.

Mas o que será o futuro para o New Order? Vocês vão gravar um disco?

Não sabemos realmente o que será do futuro. O bom de ter voltado é que não há um comprometimento demasiado. Por outro lado, a gente sabe que as pessoas só querem ouvir as velhas músicas, que não esperam mais que isso. E nós queremos olhar para o futuro. Não acho que haja espaço hoje para um disco de carreira como antigamente, com 12 faixas, aquela coisa. Ninguém mais ouve música desse jeito. Acho que poderá acontecer de lançarmos um single, ou duas faixas na internet, e começarmos a compor nesse ritmo. O futuro é um livro aberto para a gente.

Desde que você se afastou do meio musical, muita coisa mudou. Hoje em dia, por exemplo, pouca gente faz álbuns, como você falou. O que pensa desse novo mundo?

Acho que ainda é um mundo excitante. Há muitas bandas novas surgindo todo dia, bandas que acharam seu caminho mesmo sem ter uma gravadora ou um esquema mais profissional de distribuição do seu trabalho. Claro que há contradições. É um mundo muito fechado, com as pessoas ouvindo música em seus headphones, distanciadas umas das outras. Ouvem e fazem música no quarto, e se envolvem pouco com as plateias. E há ainda os fenômenos massivos, como Lady Gaga, que monopolizam as atenções.

Gillian, o New Order surgiu como se fosse um antídoto àquela música que predominava na época, o punk. Foi até rotulado como pós-punk. Você concorda com o rótulo?

Acho que sim, a atitude foi pós-punk. Éramos um pouco mais profissionais, e mais envolvidos com eletrônica, enquanto o punk era básico. Acho que, desde o Joy Division, a banda sempre esteve mais interessada em arte, em explorar diferentes direções usando as máquinas, os teclados, os sintetizadores. Até para a plateia era algo diferente, suscitava uma reação diferente.

Peter Hook diz que esse New Order que vai excursionar é "uma vergonha" e que não aprovou a turnê.

Eu não estava envolvida com o New Order quando eles brigaram, e não sei como se deu o rompimento. Obviamente, não estou muito feliz com esse clima, preferia que ele estivesse conosco. Mas ele não quer. Acho que ele também está se divertindo fazendo o trabalho dele com a outra banda, e toca as canções do New Order. Deve estar ocupado com seus novos projetos.

 

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