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'Neutral Hero' e 'Hotel Methuselah' são destaques na Mostra Sesc

Diretor Richard Maxwell redefiniu a forma dos musicais americanos

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S. Paulo,

18 de julho de 2012 | 20h30

Richard Maxwell nasceu na terra dos grandes musicais e não nega as origens. No seu teatro, não faltam canções a entremear os diálogos. Seus atores tocam instrumentos musicais. Não convém esperar, contudo, por nada do sentido espetacular que costumamos vincular automaticamente à indústria da Broadway. À frente da companhia New York City Players, esse diretor reinventa as tradições do gênero. E mostra, pela primeira vez, o resultado em São Paulo.

Um dos convidados da Mostra Sesc de Artes, Maxwell apresenta, nos dias 28 e 29, Neutral Hero. A montagem, que ele define como uma "ópera country" prescinde de qualquer artificialismo. Abre mão de efeitos de cenografia e luz para contar a história de habitantes anônimos de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Seu olhar está direcionado para formas de violência que repousam latentes sobre o way of life americano.

"Teatro para mim, no lugar de onde eu venho, é musical. É isso que eu cresci vendo e fazendo, como um jovem ator no Oklahoma", diz o encenador. "É isso que eu conheço e tenho afeição por essa ideia, de como o teatro pode tirar vantagem daquilo que só ele pode oferecer. O que não tem nenhuma relação com esse pastiche do teatro multimídia contemporâneo. Eu não tenho nada a ver com isso, eu quero recuperar o impulso primeiro de se contar uma história para um público da maneira mais fundamental, mais básica."

Os heróis neutros, que despontam na sua cena anódina, carregam dentro de si os rastros dos grandes personagens da antiguidade: Ulisses, Gilgamesh.

Outro destaque dentro da grade da Mostra Sesc é a montagem britânica Hotel Methuselah, que faz duas sessões nos dias 26 e 27. A criação da companhia Imitating the Dog e Pete Brooks se propõe a unir as experiências do teatro e do cinema. Diante de uma imensa tela em formato wide screen, atores são fundidos a imagens projetadas.

As cenas escolhidas fazem nítida referência a nouvelle vague francesa, aos filmes noir americanos e ao cinema pós-guerra da Inglaterra. Servem de pano de fundo para a trama de um homem que, acometido por uma amnésia, tenta reconstruir o seu passado.

Também do Reino Unido vem parte dos artistas do grupo Gob Squad. Com integrantes britânicos e alemães, a companhia ocupa lugar de proeminência no cenário europeu de performers e será vista aqui com o espetáculo Revolution Now! As ocupações dos grandes centros financeiros internacionais e os levantes revolucionários nos países árabes aparecem no horizonte. O intuito é flagrar como surgem os movimentos de revolta popular. Capturar esses momentos e recriá-los com o auxílio do público. Atores brasileiros também são convocados a subir ao palco e tomar parte na apresentação, marcada para os dias 20 e 21.

A participação nacional na mostra promete ser consistente. A encenadora mineira Grace Passô conduz os atores do grupo Lume, de Campinas, em sua nova obra: Os Bem-Intencionados (dias 27 e 28). Figura de referência na cena do país, Grace dirige uma narrativa de tonalidade surrealista, centrada na rotina dos músicos de um salão de baile. Outra boa escolha é Sua Incelença, Ricardo III (dias 25 e 26). A bem-sucedida parceria entre o diretor Gabriel Villela e o grupo Clowns De Shakespeare, do Rio Grande do Norte, chega finalmente a São Paulo, depois de percorrer os festivais ao redor do país.

 
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