Netinho repete fórmulas para estrear na TV

José de Paula Neto, o Netinho, prepara mais uma "novidade" para seus colegas da periferia. Estréia no dia 18 o programa de auditório Domingo da Gente, na Record (domingo, 13h30), voltado "para as pessoas comuns", como define ele. A idéia, mais uma vez, é levar o povo para a TV. "Vamos realizar sonhos e contar histórias emocionantes, sem apelar para o sensacionalismo." A direção é de Leonor Corrêa, que já esteve à frente de vários projetos da Record. Há atrações como apresentações musicais e quadros fixos, sete deles já definidos, a maioria adaptações do que já existe na TV. Biografia, que faz homenagens a pessoas famosas, por exejá existe no Domingão do Faustão. Encontros/Palcos, que promove reconciliações, é feito por Silvio Santos no Em Nome do Amor. "Fizemos uma mistura de quadros que deram certo em outros programas, porque não dá para inventar nada do zero", justifica Leonor. O mais importante, uma invenção do cantor, é A Princesa e o Plebeu, em que uma adolescente vive dia de estrela. Um dos mais originais é Lançamentos, em que profissionais como confeiteiros e costureiros irão participar de uma competição. "Queremos mostrar que qualquer pessoa pode fazer arte em sua área", afirma Leonor. A maior parte do programa será em externas. Neste início, Domingo da Gente será gravado, mas a idéia é que passe a ser ao vivo, segundo o diretor de programação Marcus Aragão. "Tudo vai depender do Ibope, temos uma meta, que não posso revelar, mas acreditamos que o Netinho vá superá-la", diz Aragão. Quanto ao fato de ser o primeiro apresentador negro do Brasil desde os anos 60, quando Wilson Simonal apresentava Simbora, na Record, ele diz que os negros estão comemorando, mas afirma que o programa não será direcionado só para eles. "Isso seria racismo", diz. "Apesar de ser criticado por suas letras, o pagode levou os negros para a TV."O horário do programa não coincide com Domingo Legal, apresentado por Gugu no SBT e com Domingão do Faustão, da Globo, mas o cantor reforça que se isso acontecer no futuro, ele não vai fazer baixarias para entrar na brigar por audiência. "Não quero que um pai fique constrangido na frente dos filhos, como eu já fiquei enquanto assistia a programas de TV." Netinho ficou famoso com o Negritude Júnior nos anos 90. Na infância trabalhou como bancário e vendeu doces. Hoje, vive em um condomínio de classe média alta, mas não esqueceu os vizinhos da Cohab de Carapicuíba, onde tem um projeto assistencial e cultural para crianças.

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