Netflix vai ampliar conteúdo local com 30 filmes e séries brasileiros

Netflix vai ampliar conteúdo local com 30 filmes e séries brasileiros

Informação foi dada por Ted Sarandos, diretor global de conteúdo do serviço de streaming, no Rio Content Market, nesta quarta-feira, 24

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2019 | 10h24

ENVIADO ESPECIAL / RIO — A Netflix vai ampliar a quantidade de conteúdo brasileiro em sua plataforma, com a aceleração da produção nacional. Segundo o diretor global de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, a empresa vai produzir 30 filmes e séries no País nos próximos dois anos. “Vocês deveriam pensar nisso como apenas o começo”, disse o executivo, durante palestra no Rio2C, evento sobre o setor audiovisual no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 24. Trata-se de um rápido ganho de escala, já que a plataforma iniciou a produção de conteúdo brasileiro apenas em 2017, com a série "3%".

O movimento do serviço de streaming vem como um alívio em um momento de crise no audiovisual brasileiro, que vem sofrendo com as cobranças do Tribunal de Contas da União (TCU) relativas à prestação de contas de projetos aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e com as mudanças da Lei Rouanet, que vão limitar o teto de liberação de recursos para produção e distribuição. 

 

Além das séries, a Netflix também informou ontem que vai acelerar a produção de filmes. Três deles – a comédia romântica Ricos de Amor, a história para adolescentes Quem Nunca? e o suspense Carga Máxima – foram apresentados nesta quarta-feira por seus criadores – respectivamente, Bruno Garotti, Thalita Rebouças e Tomás Portella. O filme de Garotti será estrelado pela atriz Giovana Lancelotti e terá as filmagens iniciadas em junho. Já Thalita terá sua primeira produção exclusiva para a TV, não baseada em um de seus livros. 

Entre nomes consagrados do cinema, a Netflix investiu em Sérgio, filme baseado na vida do embaixador brasileiro na ONU que foi morto no Iraque em 2003, Sérgio Vieira de Mello, e com produção de Wagner Moura (que interpretou Pablo Escobar na série Narcos, exibida pelo serviço de streaming. A empresa anunciou ainda novos projetos de diretores como Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e Daniel Rezende (Bingo, o Rei das Manhãs).

 

Infanto-juvenil. No universo infantil, a Netflix investirá em uma nova versão de Menino Maluquinho, do escritor e cartunista brasileiro Ziraldo, com estreia prevista para 2021. A empresa lembra que, desta forma, um símbolo brasileiro estará disponível para 190 países.

 

O serviço mostrou ainda uma cena do especial de Natal do grupo de comédia Porta dos Fundos e de reality shows do mundo da culinária, como Chef’s Table e The Final Table. No que se refere a atores, a jovem Maísa Silva, apresentadora do SBT, firmou contrato para três produções da Netflix. Outro nome do universo adolescente, Larissa Manoela, vai estrelar Modo Avião, primeiro filme da atriz que estreará diretamente na plataforma. Na mesma linha, Carnaval, de Leandro Neri, vai contar uma história da reação de uma garota a um vídeo viral.

 

A produção de séries também vai se acelerar. A plataforma anunciou o drama Futebol, sobre a seleção de adolescentes por um grande clube do esporte; O Escolhido, fantasia dirigida por Michel Tikhomiroff; Sintonia, criada por Kondzilla; Irmandade, com Seu Jorge, que conta a história de uma facção dentro de um grande presídio; e Ninguém tá Olhando, comédia de Daniel Rezende. Além destes, a empresa mostrou cenas da série Spectros durante apresentações realizadas no Rio2C, mas ainda não deu detalhes sobre o conteúdo.

 

Conexão. O executivo classificou o Brasil como "um dos principais mercados da Netflix" e disse que o público local tem uma "grande conexão emocional" com a plataforma. Sarandos também falou sobre o aumento da concorrência no setor de streaming de conteúdo, uma vez que Disney, Warner Media (dona da HBO), Apple e Facebook estão investindo no setor. "Para nós é até surpreendente que tenha demorado tanto para essa concorrência aparecer", disse Sarandos. "Se eles quiserem Disney, terão de buscar em outro lugar. Para nós o importante é que não abram mão da Netflix, pela importância do nosso conteúdo."

 

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