Fábio Motta/ Estadão
Fábio Motta/ Estadão

Netflix adia planos de série no Brasil

Executivo diz que produção original demanda mais assinantes e reclama de resistência da Globo em licenciar conteúdo

João Fernando/ Rio, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2013 | 02h14

Mesmo com séries divididas em episódios e novas temporadas anunciadas, a dúvida sobre o meio em que se enquadram as produções do Netflix permanece até para quem trabalha na locadora virtual. "Venho tentando dizer há um tempo que é televisão. São várias imagens piscando em uma tela. É televisão. As vitórias do Emmy significam que é uma televisão de qualidade", gaba-se Ted Sarandos, executivo-chefe de conteúdo global do Netflix, cuja primeira produção original, House of Cards, levou três troféus na maior festa da TV dos EUA.

De passagem pelo Rio para anunciar o vencedor do Prêmio Netflix, o norte-americano avisa que ainda vai demorar para que uma série longa brasileira entre em produção. "Adoraríamos fazer, mas precisamos aumentar nossa base de assinantes aqui", explica ao Estado. Por enquanto, a única atração exclusiva feita no Brasil é o humorístico A Toca, projeto não considerado original por ter sido oferecido à empresa.

Apesar da falta de perspectiva de uma série local, Sarandos, de 48 anos, reforça que o País é importante nas estratégias do Netflix, lançado aqui em setembro de 2011. "Foi nosso primeiro território fora dos EUA. É muito incomum pular a Europa Ocidental e ir direto para o Brasil. A razão pela qual viemos foi o crescimento da banda larga, por ser um mercado de pessoas que se envolvem com as coisas e são aficionados pelas redes sociais. São pessoas que gostam de novas tecnologias, além de filmes e programas de TV."

Com atrações como o Pânico na Band no catálogo, o executivo garante que há negociações com outras redes abertas daqui. "Temos uma equipe voltada para a América Latina e especialmente para o Brasil. Hoje, temos três vezes mais conteúdo do que há dois anos", complementa. A única bronca de Sarandos é com a Globo, cujos programas estão disponíveis no Netflix nos outros mais de 40 países em que o site atua, menos no Brasil, onde a emissora tem seu serviço pago de vídeo sob demanda.

"Os maiores produtores do mundo licenciam em seus próprios países, como a BBC, no Reino Unido, e a Televisa, no México. A Globo não licencia para o Brasil. Falta eles chegarem à conclusão de que o Netflix é uma boa economia. Aumenta a base de fãs de um programa e faz com que melhore a qualidade do conteúdo, pois as licenças são uma injeção de dólares. Isso não canibaliza os negócios, é um complemento."

No congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura deste ano, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo disse estar atento à insatisfação dos executivos de operadoras em relação à concorrência com o tipo de serviço do Netflix, que pode funcionar fora do País, por ser um serviço virtual. "Nós também pagamos. Estamos sujeitos às regulamentações de taxas", rebate Sarandos. De acordo com ele, a equipe responsável pelo Brasil está dividida entre os EUA e um escritório em São Paulo.

Ele afirma não haver pressão para conteúdo nacional, pois não estão sujeitos à lei 12.485, que obriga canais pagos a exibir programas feitos aqui. "Isso não é exclusivo do Brasil. Há medidas protecionistas da indústria de cinema e TV em outros países. A TV está se desenvolvendo rápido em todo o mundo, por isso, os governos querem tirar algo disso."

Ted Sarandos jura que os canais pagos e abertos não veem o Netflix como ameaça. "Acho que eles fazem o melhor que podem. As redes são boas para grandes eventos. Não só jogos, mas programas de competições, por exemplo. O Netflix é para uma pessoa ver o que quer quando você quer."

Prêmio nacional

O Netflix anunciou ontem que o filme Apenas o Fim (2008) foi o vencedor da primeira edição do prêmio que leva o nome do site. Com cerca de 12 mil votos, o longa foi o escolhido em uma lista de dez produções nacionais pequenas. A partir de 2014, ele estará no catálogo internacional do site.

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