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Nesse reino, quem manda tem apenas quatro centímetros de altura

Com visual deslumbrante e focada na defesa da ecologia, animação dirigida por Chris Wedge é um épico realista

ELAINE GUERINI - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2013 | 02h07

MONTEVERDE,  COSTA RICA - Pouco depois de imprimir a sua marca no universo da animação, ao dirigir em 2002 A Era do Gelo (2002), em parceria com Carlos Saldanha, o americano Chris Wedge imaginou "enveredar por uma história épica com seres míticos e minúsculos da floresta".

O sucesso mundial dos personagens pré-históricos, no entanto, manteve o diretor na idade glacial por mais alguns anos. Ele foi produtor executivo de A Era do Gelo 2 - O Degelo, em 2006, de A Era do Gelo 3 - Despertar dos Dinossauros, em 2009, e de A Era do Gelo 4 - Deriva Continental, em 2012, além de dublar os grunhidos e gritos do esquilo Scrat em todos os títulos da franquia - com bilheteria mundial de mais de US$ 2,8 bilhões. "Fui obrigado a engavetar o projeto não só por conta dos desdobramentos de A Era do Gelo, mas por razões tecnológicas. A computação gráfica precisava avançar mais para a riqueza de detalhes que a trama ambientada no bosque exigiria."

Wedge, um dos fundadores do estúdio de animação Blue Sky, não exagera. Realizado em 3D, Reino Escondido apresenta uma animação mais sofisticada, não só no design e nos movimentos (mais convincentes) dos personagens quanto nas imagens de fundo. "Nossos personagens nunca foram tão próximos dos humanos. A interação deles com o ambiente também está mais realista. Quando a vegetação balança ao vento, é como se estivesse viva", disse Wedge, ao Caderno 2, em entrevista concedida na reserva florestal de Monteverde, na Costa Rica, conhecida pelo alto índice de nebulosidade e por mais de 2.500 espécies de plantas.

Um livro e uma exposição de pinturas inspiraram Wedge a criar a mitologia de Reino Escondido, calcada em sociedade secreta de guardiões da floresta. "Os quadros que vi, do período vitoriano, brincavam com a ideia de uma civilização de pequenas fadas que vivia nas árvores e nos arbustos. Todo o universo era muito cinematográfico, com cerimônias, casamentos, coroações e funerais", contou o diretor, que também se baseou no livro The Leaf Man and the Brave Good Bug, escrito por William Joyce, para o projeto.

Assinada por time de roteiristas liderado por Joyce, a trama envolve seres de quatro centímetros de altura, chamados Homens-Folha, encarregados de proteger a vida na floresta, que eles percorrem a bordo de velozes beija-flores. Os heróis verdes estão em constante batalha com os Boggans, que lutam pela decomposição e usam morcegos como meio de transporte. Quem acredita na existência desses guerreiros é o professor Bomba, cuja filha, a adolescente Mary Katherine, é sugada magicamente para esse reino, em miniatura.

"A ideia da existência de uma civilização que não conseguimos ver me fascina. Toda vez que inicio um projeto, preciso vislumbrar primeiro o mundo onde a história será desenrolada", contou Wedge, lembrando que Reino Escondido representa uma evolução na arte da animação da Blue Sky. Tanto do ponto de vista artístico quanto tecnológico. "Nossos personagens mantêm o gosto pela comédia que marca todos os filmes do estúdio, mas ganha dimensões épicas por representar uma jornada mais emocional e com mais aventura."

A técnica também foi aperfeiçoada. "Além do realismo, atingimos uma aura de espetáculo até então inédita na nossa filmografia. Há tomadas mais cinematográficas, principalmente as aéreas, quando os personagens voam entre as árvores e as câmeras registram planos amplos da floresta. A imagem em 3D contribui ainda mais para retratar a profundidade dos bosques."

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