Nei Lopes conta histórias da baixada

A geografia e as histórias da zona norte carioca e da Baixada Fluminense estão no livro-revista Guimbaustrilho e outros Mistérios Suburbanos, de Nei Lopes, segundo volume da Coleção Sebastião, da editora Dantes, que será lançado amanhã, a partir das 13 horas. A festa promete ser tão boa quanto a do primeiro volume, Copacabana Lua Cheia, de Fausto Fawcett, que lotou o Cordão do Bola Preta, o mais antigo clube de carnaval do Rio. Para se manter fiel ao espírito do livro, o local escolhido desta vez é o Bar do Costa, reduto boêmio de Vila Isabel, bairro da zona norte. A festa não tem hora para terminar.Nei Lopes é compositor de sambas de sucesso, escritor e pesquisador da cultura negra (entre eles, o Dicionário do Banto do Brasil e a biografia Zé Keti: o Samba Sim Senhor) e a vida suburbana é tema recorrente em seu trabalho musical ou literário. "É onde o Rio é mais carioca, pois a zona sul não tem nada característico. Lá, vive uma classe média mais voltada para o exterior do que para si mesma", diz Lopes. "Minha batalha é contra a discriminação que o subúrbio sofre, o abandono em que vive essa enorme população."Sobre os trilhos - Guimbaustrilho conta que nem sempre foi assim. Cabe explicar: para o carioca, o Rio tem a zona sul (os bairros da orla), zona norte (longe do mar) e os subúrbios, da Central (servidos pelos trens que saem da estação Pedro II) e da Leopoldina (para onde vão os trens da estação Barão de Mauá). São, ao todo 88 estações, divididas em quatro ramais e Nei Lopes guia o leitor por todas elas, contando casos pitorescos e detalhes da vida de seus principais personagens. Ele já tinha feito mais ou menos isso no livro 171 Lapa-Irajá: Casos e Enredos do Samba, que era semibiográfico, mas agora fala de outros personagens."Pouca gente sabe que o poeta Cruz e Souza era festeiro e reunia sempre os amigos em casa, no Engenho de Dentro. Ou conhece a versão funkeira dos clóvis, fantasia típica do carnaval da zona oeste, que a garotada adaptou para hoje", cita ele. Guimbaustrilho, que será vendido em bancas de revista por R$ 10,00, traz ainda um CD com três faixas do último disco de Nei Lopes, Sincopando o Breque, exatamente as que falam da vida suburbana: Justiça Gratuita, sobre o pedantismo dos advogados novatos; Vendedor de Ilusões, sobre as crenças do subúrbio, e Samba na Medida, homenagem aos compositores Walter Alfaiate e Wilson Moreira, este parceiro de Nei Lopes.

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