Negligência de chofer e paparazzi matou Diana, diz inquérito

A princesa Diana e seu namorado, DodiAl Fayed, foram mortos por causa da negligência do seumotorista e dos fotógrafos que os perseguiam num túnel emParis, há dez anos, segundo o inquérito britânico aprovado porum júri na segunda-feira. Mais de 250 testemunhas de vários países foram ouvidas aolongo de seis meses de investigação, e as deliberações dosjurados levaram quatro dias. Os príncipes William e Harry, filhos da falecida princesa,agradeceram ao júri "pela forma minuciosa pela qualconsideraram as provas". "Concordamos com seus veredictos",disseram eles em nota. John Stevens, ex-chefe de polícia da Grã-Bretanha, disseesperar que o resultado da investigação sepulte de vez asteorias conspiratórias envolvendo a morte de Diana. Na noite em que morreram, Diana e Dodi fugiam de fotógrafosque os aguardavam em motos na porta do hotel Ritz, em Paris. Ospaparazzi chegaram a fazer imagens da agonia de Diana depoisque seu Mercedes bateu no pilar 13 do túnel Alma. O milionário Mohamed Al Fayed, pai de Dodi, acusa a rainhaElizabeth e seu marido, o príncipe Philip, de terem mandado oserviço secreto matar a ex-nora, para impedir que ela secasasse com um muçulmano e tivesse mais um filho. Em nota após o julgamento, Al Fayed disse: "Não sou a únicapessoa que disse que eles foram assassinados. Diana previu queseria assassinada e como isso aconteceria. Então estoufrustrado." Ele insistiu que a rainha e o consorte deveriam ter sidointimados a depor, pois "ninguém deveria estar acima da lei"."Sempre acreditei que o príncipe Philip e a rainha possuiriamevidências valiosas, que só eles conhecem." O motorista da Mercedes, Henri Paul, era funcionário doHotel Ritz, de propriedade de Al Fayed. Paul também morreu noacidente. O chefe do júri disse no tribunal que "o acidente foicausado, ou coadjuvado, pela velocidade e as maneiras domotorista da Mercedes, e pela velocidade e os veículos que oseguiam". O júri citou ainda como complicadores o fato de Paul estaralcoolizado, de Diana não usar cinto de segurança e de o carroter batido num pilar. "De fato espero que todos recebam este veredicto como umencerramento", afirmou Stevens, que dirigiu a investigaçãopolicial britânica, sem no entanto descartar processos penaiscontra responsáveis na França. Todos os fotógrafos que seguiam Diana rejeitaram aintimação para depor. Um deles, Jacques Langevin, disse a umaTV que não tem nada a esconder e que a investigação foi "umaperda de tempo." O juiz Scott Baker havia instruído expressamente o júri arejeitar teorias conspiratórias sobre o acidente. A investigação, que teria custado até 20 milhões dedólares, teve testemunhas ouvidas por videoconferência naFrança, nos EUA, na Nigéria, no Quênia e na Austrália. Poucos detalhes da vida particular de Diana ficaram defora, pois amigos, família, curandeiros, espiões,guarda-costas, policiais e mordomos foram chamados a opinar,para deleite da imprensa mundial. A demora de dez anos ocorreu porque a Grã-Bretanha teve deesperar o processo judicial na França e a investigação daprópria polícia britânica. Nos dois países, policiais concluíram que o acidente foiprovocado pelo fato de que Paul estava bêbado e em excesso develocidade. Pela lei britânica, toda morte não-natural deve sersubmetida a um inquérito judicial.

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