Nas pontas dos pés

Criada em 2008, companhia de repertório estreia duas novas obras e enfrenta o desafio da continuidade

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2011 | 00h00

Durante a entrevista, as diretores Iracity Cardoso e Inês Bogéa falaram sobre as adaptações na programação anunciada para 2011 e sobre os novos planos para o grupo, que comemora o terceiro aniversário. A seguir, os principais trechos da conversa.

O programa que norteou a criação da companhia continua mantido?

Iracity - Sim. Estamos sendo muito fiéis ao nosso projeto. Ainda que ele possa ter altos e baixos, estamos sempre procurando desenvolver aquilo que já estava na nossa carta de intenções.

Como está o orçamento para 2011? Há notícias de que houve um corte na previsão de R$ 18 milhões para este ano. De quanto é esse corte?

Inês - Essa questão ainda está em negociação. Segunda-feira o presidente da nossa associação tem uma reunião com o secretário Andrea Matarazzo. Eles é que vão definir, de fato, o valor desse corte. Uma coisa que é importante saber é que a primeira vez em que foi divulgado quanto custa uma companhia por inteiro foi com o surgimento da São Paulo Cia. de Dança. Sempre se falou em verba de produção e circulação dos espetáculos. O Balé do Teatro Municipal do Rio gasta R$ 12 milhões de produção. Mas não se sabe quanto custa a manutenção da companhia: folha de pagamento, luz, sistema de computador. Quando se diz que o orçamento da SP Cia. de Dança, de R$ 18 milhões, é o maior que já se teve na dança, também é preciso lembrar que nunca tinha sido divulgado o orçamento como um todo. Quanto custa, por exemplo, uma folha de pagamento regular, com funcionários contratados pela CLT? Então, essas são comparações difíceis.

E o calendário divulgado, ele continua valendo?

Iracity - Está valendo, mas sempre sujeito a alterações. Porque depende dessa negociação, do tamanho desse corte.

Inês - Mas isso é normal em todo início de gestão, a cada nova gestão a gente tem essa adaptação. Criamos para este ano um programa novo que não impacta o orçamento. É o Giro na Dança, que deve ampliar essas ações de formação de plateia pelo interior do Estado. São encontros em bibliotecas, em oficinas culturais, etc., mostrando nosso vídeos, o livro. São várias ações para levar a dança de diferentes maneiras.

As estreias deste ano parecem menores, com menos dançarinos no palco. Há um pas-de-deux, outra peça para 13 bailarinos. Essa escolha tem a ver com a limitação de orçamento ou com uma opção estética?

Inês - Essa é uma decisão artística da Cia., que precisa visitar o maior número possível de palcos. E, nesse sentido, deve ter um repertório variado, que se adapte às diferentes situações. Peças que possam ser apresentadas em palcos menores. Quando a Cia. foi criada, como não era um grupo que estava acostumado a dançar junto, as peças eram grandes para ajudar a criar uma unidade. Mas elas continuam no repertório. Theme and Variations, do Balanchine, abre a estreia e é uma peça de conjunto. Isso é importante para uma companhia que tem 40 bailarinos.

Há mais um pas-de-deux previsto para 2011, não? A montagem de um pedaço do Dom Quixote, do Marius Petipa.

Iracity - Esse Dom Quixote está na geladeira. Nós até começamos, mas acabou ficando para um segundo período.

E os planos para turnês internacionais?

Iracity - Vamos pela primeira vez à Europa este ano. Temos acertada a nossa participação no festival de Baden Baden na Alemanha. E estamos negociando Buenos Aires, para o segundo semestre.

E as viagens para fora de São Paulo, para as capitais brasileiras. Elas estão mantidas para este ano?

Inês - As turnês nacionais também estão em negociação. Rio, Salvador, Belém e São Luís estão no programa para este ano. Vamos ver o que acontece. O mesmo acontece com o Figuras da Dança, um projeto que também está em discussão.

São os documentários que vocês produzem...

Inês - Sim. Já fizemos 15 documentários, que traçam um mapa da dança.

Qual é o custo desses filmes?

Inês - Cada filme custa em torno de R$ 100 mil. Há uma negociação com a secretaria, mas também vamos procurar dar continuidade usando a Lei Rouanet.

A secretaria pediu um foco maior em São Paulo das ações da Cia.?

Inês - Sim, uma das prioridades é contemplar um número maior de cidades do Estado. Então, a gente aumentou isso. Em 2010, passamos por nove cidades de São Paulo. Neste ano, já temos 13 pautadas. Mas é importante dizer que o secretário e o governador apoiam a companhia. O que está acontecendo é uma negociação normal de começo de gestão.

Mas isso atrapalha a programação?

Iracity - Nós nos programamos com muita antecedência. A programação até o fim do ano já estava montada. Agora, com essas novidades, temos que recuar para negociar.

Vocês acabam de completar três anos. O que é que ainda precisa ser conquistado, onde vocês gostariam de estar num futuro próximo?

Iracity - Ainda há muitas ideias a serem desenvolvidas. Mas o principal desafio é a continuidade do trabalho. Com isso a gente cresce, se aprimora. Agora, quando começa a truncar o trabalho, a coisa fica um pouquinho complicada.

MAPA DA DANÇA

Interior

Serão 13 cidades do Estado visitadas este ano.

Brasil

Rio, Salvador, Belém e São Luís estão nos planos.

Internacional

Cia. fará primeira apresentação na Europa, passando pela Alemanha em julho.

Três anos de ações

600 pessoas assistem à companhia em cada espetáculo

65 é a média de apresentações que o grupo faz por ano

40 bailarinos estão no corpo de baile

15 documentários do projeto Figuras da Dança já foram feitos

14 é a quantidade de peças no repertório da companhia

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