Nas obras de José De Quadros, dicotomias que se revelam

Artista vive na Alemanha e no País exibe série sobre seu local de trabalho em SP

Agencia Estado

12 de junho de 2007 | 04h02

O ateliê de Kassel na Alemanha, oateliê de São Paulo. A cada seis meses, o artista José DeQuadros se divide entre essas duas cidades e em cada uma dasdelas, tão diferentes entre si, ele cria trabalhos dentro de umasérie sobre os ateliês. Como ele ressalta, não há nada doromantismo e misticismo em torno do ambiente de criação de umartista presente nesses trabalhos - em suas telas, não hápincéis nem tubos de tintas representados. É o espaço do entorno, um lugar que pode mesmo até ser "seco e árido", como diz DeQuadros, que se transforma em seu tema principal, como se podever na exposição que ele também acaba de inaugurar na EstaçãoPinacoteca, mostra com curadoria de Regina Teixeira de Barros. José De Quadros, que também abriu há pouco tempo umamostra no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, vive desde oinício da década de 1990 na cidade de Kassel, onde ocorre umadas mais importantes mostras de arte do mundo, a Documenta deKassel (dia 12 será aberta a 12.ª edição desse evento, que ocorrea cada cinco anos). É um lugar pequeno e tranqüilo, uma cidadeque teve de se reerguer depois de um bombardeio ocorrido em 1943. Mas na Estação Pinacoteca é o ateliê de São Paulo que estápresente: são as antenas, fios e prédios dos arredores dapaisagem suburbana da Vila Zelina que aparecem nas telas - ainscrição gráfica das sentenças São Paulo: O Ateliê/O Ateliê deSão Paulo, em todos os quadros, situa o visitante. As telas ocupam a sala do museu tal como uma instalação- umas ficam no alto, outras, pouco abaixo da linha convencional São telas quadradas, algumas delas com cores vibrantes - uma érosa, outra , laranja - "São Paulo é uma cidade em que sempregostei de viver, talvez por isso essa vibração", diz o artistaque, curiosamente, apesar de também gostar de viver em Kassel,conta que os trabalhos sobre a cidade alemã são em cor cinza. É curioso poder circular pela exposição e, à primeiravista, pensar serem obras muito diferentes entre si. Mas, naverdade, depois de um tempo, percebemos que não é bem assim.Apenas quatro motivos aparecem nas telas: uma tomada com asantenas; uma tomada com a paisagem de fios; um interior doateliê; e uma luminária que remete à luz da criação. Nas telas carregadas com bastante tinta, os desenhos - ografismo é uma característica tão presente nas obras - vãoaparecendo pouco a pouco, parecem terem sido impressos como umamonotipia. Interior/exterior, positivo/negativo são, enfim,dicotomias que se revelam.

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