Não são composições. Isso importa?

Keith Jarrett faz alguns vocalises em algumas faixas, usa uma cadência de bossa em outras, avança pelo blues e pelo funk em outras. Mas o que chama a atenção em Rio, além da música luminosamente bela, é o fato de que é mesmo um disco de música brasileira. As faixas não tem nomes, apenas números. Ainda assim, há uma divisão clara entre os temas, e o disco 1 é como se fosse um passeio pela praia; já o disco 2 vai sofisticando as melodias, como se se espraiasse também pelas contradições e contrastes de uma terra presumivelmente paradisíaca. Não são composições, mas isso importa? Jarrett conseguiu sintetizar uma visão do País que não é um clichê, nem tampouco é uma visão acessória. Passa a léguas daquilo que Eumir Deodato chama de "produto dos aproveitadores da bossa nova" - até Stan Getz está no bolo, segundo ele. Jarrett só tinha tocado no Brasil quase duas décadas atrás, e dizia que tinha deixado "negócios inacabados" por aqui. Queria tentar entender, por seus próprios meios da improvisação, o que fazia com que se sentisse tão próximo da cultura do País. O disco é jazzístico, mas, como ele diz, também é "sério, doce, divertido, quente, econômica, enérgico, apaixonado" e

O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h07

resume tudo que pensa. / J.M.

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