'Não me sinto importante', diz Niemeyer ao 'Times'

Em entrevista a jornal britânico, arquiteto confessa ter dificuldade em trabalhar

BBC Brasil, BBC

12 de dezembro de 2007 | 09h30

Às vésperas de completar 100 anos de idade, o arquiteto Oscar Niemeyer disse, em entrevista ao jornal britânico The Times, que "não se sente particularmente importante". "A data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes", declarou. "O que é importante é ser tranqüilo e otimista." Veja também: França homenageia Niemeyer com insígnia da Legião de Honra A reportagem que contém a entrevista com Niemeyer, intitulada O Rei das Curvas, ocupa duas páginas do caderno cultural do diário britânico, na edição desta quarta-feira, 12. Nela, o jornalista Tom Dyckhoff compara seu encontro com o arquiteto, no Rio, como "o encontro com uma lenda, um nome saído dos livros de história, como Rodin, Picasso ou Jesse James". "Este titã da arquitetura,... que definiu a cara do Brasil pós-Guerra,... que prefigurou o pós-modernismo na arquitetura,... que em sua juventude era a cara de Marlon Brando, é hoje tão encolhido e antigo quanto um vaso Ming", descreve Dyckhoff. Niemeyer confessou ao The Times que, apesar de trabalhar todos os dias, tem sentido cada vez mais dificuldade. Contudo, contou que simplesmente não consegue recusar um novo projeto. "O que me faz levantar todas as manhãs é o mesmo de sempre: a luta, o comunismo puro e simples", disse. Para o arquiteto, o mundo, a América do Sul, o Brasil e o Rio estão melhor hoje, "apesar de George W. Bush e das favelas". "Fidel, Chávez, eles representam a luta de hoje. O capitalismo domina, mas ele vai fracassar. Tenho fé nisso. A revolução não pode parar", conclui. O centenário de Niemeyer será no próximo sábado, 15.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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