Leonardo Soares/AE
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'Não é um mau livro', diz Chico, vencedor do Portugal Telecom

Novo romance 'Leite Derramado' sai vencedor do Portugal Telecom

Raquel Cozer, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2010 | 10h37

O romance Leite Derramado (Companhia das Letras), de Chico Buarque, foi o vencedor da oitava edição do Prêmio Portugal Telecom, anunciada na noite desta segunda-feira na Casa Fasano, em cerimônia comandada por Jô Soares. O autor, que já havia recebido na semana passada o Prêmio Jabuti na categoria livro do ano pelo mesmo romance, receberá R$ 100 mil. Em segundo lugar ficou o romance Outra Vida (Alfaguara), de Rodrigo Lacerda, que ganhará R$ 35 mil, e em terceiro, o volume de poemas Lar (Companhia das Letras), de Armando Freitas Filho, que levará R$ 15 mil.

A vitória de Chico já era esperada desde o início da noite, quando sua ida ao evento foi confirmada, a exemplo do que já havia acontecido no Jabuti. Na Casa Fasano, em cerimônia no mesmo formato do programa de Jô Soares na Globo, Chico sentou-se na primeira fileira, ao lado de Pilar del Río, viúva de Saramago - Caim, livro do escritor português, era um dos dez finalistas, mas o livro foi retirado da lista a pedido da Companhia das Letras e da Fundação José Saramago.

A cerimônia começou com uma homenagem a Saramago, morto em junho. Pilar e a autora Nélida Piñon foram entrevistadas por Jô antes da exibição de trechos do documentário José & Pilar. Em seguida, Jô quebrou o protocolo e pulou a apresentação dos nove finalistas (além dos vencedores, estavam indicados AvóDezanove e o Segredo do Soviético, de Ondjaki, A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos de Brito e Mello, O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho, Pornopopeia, de Reinaldo Moraes, Olhos Secos, de Bernardo Ajzenberg, e Monodrama, de Carlito Azevedo).

"Quem será que ganhou?", ironizou o apresentador, antes de anunciar rapidamente o terceiro e o segundo colocado. Com sua vitória anunciada, Chico subiu ao palco e conversou com Jô, que aproveitou para dizer que, assim como o músico, recebeu muitas críticas negativas ao enveredar para a literatura com O Xangô de Baker Street (Companhia das Letras, 1995). "Lembro que teve crítico dizendo que você e eu escrevíamos como amadores. Qual o critério para dizer se um livro é bom ou não?", comentou.

Jô perguntou também se Chico não achava uma injustiça ter sido premiado por apenas dois ("três", corrigiu o músico) dos quatro livros que escreveu. "Acho", respondeu o músico. "As pessoas em geral não me consideram escritor".

Depois da cerimônia, em rápida entrevista coletiva, Chico disse que não leu todos os concorrentes, mas que Leite Derramado "não é um mau livro". "Merecia estar entre os primeiros, talvez", afirmou.

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