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'Não aprendi dizer adeus...'

Muitas derrotas, muitas vitórias e vamos seguindo, pois nem mesmo o fim desta coluna me deixa esmorecer

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2019 | 03h00

Quando um espaço se abre, precisamos ocupar. E tentar alargar, agregar, expandir e compartilhar. Isso é muito importante. Eu escuto muito falar em “dar voz” para ele ou para ela. Mas voz nós todos temos. Espaço, escuta, voz ampliada e impressa poucos, infelizmente. Mas o trabalho é feito assim. Devagar, devagarzinho. Muitas vitórias, muitas derrotas e vamos seguindo. Um sopro de justiça na cara dá uma força danada e nem o fim desta coluna me deixa esmorecer. Não deixa mesmo. Eu fico com o que rolou de melhor nesses três anos, agradeço o espaço que ocupei nesse tempo e aos tantos leitores que me acompanharam nas músicas e reflexões. 

Esta coluna reverberou um momento muito intenso do nosso País. Foram três anos escrevendo sobre música toda terça-feira. Lembro bem que, na semana em que comecei, recebi, no programa de rádio, Martinho da Vila, que me contou da experiência dele de colunista. “Vai ser um período de muita ansiedade. É um trabalho que nunca acaba. Você entrega uma e já vem a próxima.” Hahaha. E ele tinha razão. Escrever sobre o que acontece agora na música brasileira é manter um radar aberto para estar conectada sempre com o seu tempo. Hoje, nesta última coluna, faço um balanço de tudo que passou e percebo o quanto a música está e esteve conectada demais com a história do Brasil. E a história do Brasil não é e nem nunca foi para principiantes. Ainda bem que nós não somos principiantes também. 

Teve música sobre a violência contra a mulher, muitas cantoras trans conquistando o mundo, aniversário de artistas consagrados, lembranças de momentos duros do nosso País, como a ditadura (relembrar sempre para não cometer erros no futuro), a batalha de um artista para viver de arte, lançamentos de capas e de tantos discos novos, encontros entre artistas de tantas gerações, a luta contra o congelamento de verba destinada à cultura. 

Por aqui, acompanhamos um pouco do carnaval bonito de São Paulo, cada vez maior e ocupando a cidade num movimento político também. Foram alguns dias da mulher (8 de Março) pensando nelas na música e como o mercado (assim como o mundo, né?) ainda é tão machista. Teve playlist contra a censura, teve playlist pelo amor, teve playlist para dias ruins, teve playlist para tomar coragem para suportar... Música não faltou. E junto com a canção refletimos sobre o que queremos, quem somos, quem fomos e quem seremos. 

E tudo isso esteve aqui escrito na coluna, pois aconteceu mesmo. E o fim desta coluna não impede que tudo isso continue a acontecer. É só um pequeno fim dentro de um movimento tão grande, tão forte e transformador. E esse movimento não para mais... Ainda bem! Obrigada a você, leitor, que me acompanhou. Sigo diariamente no Som a Pino, na Rádio Eldorado, com as canções que escrevi por aqui e outras que virão, e no comando do programa que tenho há dez anos na TV Cultura, o Cultura Livre. E que a cultura siga sempre assim. Livre e indomável. 


Música da semana - Gente Aberta

Durante os três anos em que escrevi aqui, eu escolhi a cada semana uma música que chamei de a música da semana. Foram muitas canções. Teve lançamento, clipe, protesto, encontros, prêmios e homenagens. Mas a música desta semana é livre. A da minha seria Gente Aberta, afinal “gente certa é gente aberta, se o amor chamar eu vou”. E com amor eu vou. Tchau! 

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