Nanini estréia "A Morte de Um Caixeiro Viajante"

Marco Nanini alonga o corpo, estica-se por inteiro e exibe uma estatura que parece maior que seu 1,82 m de altura. Minutos depois, porém, quando soa o terceiro sinal e a cortina se abre, ele volta ao palco infinitamente menor, curvado, carregando duas pesadas malas. O ator retorna como Willy Loman, o velho caixeiro viajante que, desesperado e perdido, traz nos ombros o peso de 34 anos de viagens sucessivas. Trata-se da primeira cena de A Morte de Um Caixeiro Viajante, clássica peça escrita por Arthur Miller em 1949 que estréia no Sesc Vila Mariana depois de uma bem-sucedida temporada no Rio. Durante mais de três horas, Nanini comanda um elenco de 13 atores que mantém suspensa a respiração da platéia ao contar a tragédia de Willy Loman, homem que não aceita o próprio fracasso e o da família, mas cujo comportamento revela que o sonho americano de sucesso tornou-se um grande pesadelo. "Ele está em um momento-limite de sua existência, pois, embora não saiba, está vivendo suas últimas 24 horas", comenta o ator. "Suas emoções são desencontradas, mas seu desejo é evidente: Willy quer, como último gesto, salvar sua família." Demonstrar o desespero desse homem em suas últimas horas foi a opção escolhida pelo diretor Felipe Hirsch para a concepção do espetáculo. Nesse período, além de conviver com fatos do presente, Willy Loman é tomado por alucinações que trazem de volta momentos do passado. "É um trabalho magistral de Arthur Miller que explica todas as situações alternando o tempo em que ocorrem as situações", comenta Hirsch. Depois de reler o texto de Miller, Nanini sentiu a necessidade de realizar um espetáculo à altura da grandeza do texto. "Isso quer dizer encenar a peça na íntegra, o que resulta em três horas de apresentação, além de reunir um grande elenco, pois não seria possível um mesmo ator interpretar mais de um personagem." Associado ao produtor Fernando Libonati há mais de dez anos, Nanini vem conseguindo realizar suas produções sem interferências. "Mas a montagem do Caixeiro só foi possível graças à dedicação do elenco, que assumiu o projeto em troca do menor salário que a produção poderia pagar", disse Nanini.Destaque no elenco, a atriz Juliana Carneiro, depois de 15 anos vivendo na França, dos quais 13 como uma das atrizes do prestigioso Théâtre du Soleil, pediu licença para voltar ao Brasil e viver o papel de Linda, a mulher de Willy Loman na peça. Mais recentemente ela filmou aqui no Brasil Lavoura Arcaica, de Luis Fernando de Carvalho, em 1998.Se Juliana Carneiro deixou a França para fazer a peça, Francisco Milani trocou o hospital pelo palco. O ator recuperava-se de uma cirurgia no intestino quando recebeu um telefonema do produtor Fernando Libonati. Mesmo sem saber quanto tempo precisaria para se recuperar, "no dia seguinte, ajudado por meu filho, embarquei nessa viagem maravilhosa", diverte-se o ator, que interpreta Charley, vizinho de Willy Loman.Willy Loman, segundo o texto de apresentação de Arthur Miller "é o tipo de homem que a gente vê murmurando consigo mesmo em um metrô, decentemente vestido, a caminho de casa ou do escritório, perfeitamente integrado ao seu meio, exceto que, ao contrário dos outros, ele não consegue mais impedir que o poder de suas experiências estilhace com a sociabilidade superficial de seu comportamento". O primeiro primeiro título da peça era O Interior da Cabeça Dele. A Morte de Um Caixeiro Viajante. De Arthur Miller. Direção Felipe Hirsch. Duração: 3 horas (com intervalo). De quinta a sábado, às 20h30; domingo, às 17 horas. R$ 30 e R$ 40 (sábado). Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3000. Até 26/10. Patrocínio: BR-Petrobrás e Brasil Telecom. Co-patrocínio: Eletrobrás

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