NADA SURF, OLHANDO PRA TRÁS SUAVEMENTE

Rock alternativo com harmonia, com guitarras melodiosas, vocalizações cristalinas. Após 18 anos na estrada, o grupo nova-iorquino Nada Surf nunca deixou de ser fiel a esses princípios, o que faz com que seu anunciado show do dia 25 de abril, no Cine Joia, já mobilize uma legião de fãs irredutíveis (que lotaram seu primeiro show por aqui, em 2004).

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h08

"Eu também apreciei o grunge, mas amava The Byrds, Teenage Fanclub, Talking Heads", contou ao Estado ontem, por telefone, de Londres (onde vive há um ano), o guitarrista e vocalista Matthew Caws. No entanto, The Stars are Indifferent to Astronomy (lançamento Inker), seu novo disco, parece um tanto mais acelerado, mais veloz, do que os cinco primeiros.

"É fato. Num dado momento, nos demos conta de que parecíamos dois grupos: o do palco: um que tocava com fúria, num estilo garagem; e o do estúdio, que era mais devagar, reflexivo. Quando fizemos o disco de covers If I Had a Hi-Fi (2010), a gente pensou que toda aquela diversão podia ser transportada também para um disco de carreira, e foi o que fizemos. Gravamos tudo em cinco dias", diz Matthew.

O disco teve produção de Chris Shaw (que trabalhou em discos de Bob Dylan, Super Furry Animals e Wilco) e participação do guitarrista Doug Gillard (Guided by Voices, Death of Samantha), que acabou se tornando o quarto hojmem do Nada Surf.

O grupo, formado por Matthew e seus amigos Daniel Lorca (baixo) e Ira Elliot (bateria), surgiu em 1994, com um ideário que os colocava numa linha evolutiva que enfileirava The Who, Ramones, Dinosaur Jr., Sonic Youth e até Simon & Garfunkel, segundo conta Matthew. Esse DNA é fácil ainda de ser notado no disco novo, em faixas como When I Was Young.

"É gostoso mergulhar em nossos sonhos adolescentes sem nostalgia, buscando romantizar e até melhorar as coisas que vivemos. É uma sensação boa. Em geral, quando a gente volta à velha escola de infância, que a gente julgava imensa, descobre que é pequena, modesta. Eu amo isso, amo essa sensação", diz o músico.

Há uma faixa batizada de Jules & Jim, cuja referência parece remeter ao filme da nouvella vague do francês François Truffaut. "É mais uma citação do tema do filme, o triângulo amoroso. Para mim, o triângulo amoroso foi mais um pesadelo do que uma fantasia libertária. Há uma pressão nessa situação. Tanto para mim quanto para ele e ela, o que causou foi desconforto", conta o compositor. Além de São Paulo, o Nada Surf vai ao festival Abril Pro Rock (Recife), Curitiba, Belém e Fortaleza.

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