Na última sala, as últimas imagens

A última sala da galeria no subsolo do International Center of Photography (ICP), onde Cuba in Revolution está instalada, provoca um silêncio sombrio nos visitantes. Com fotos do documentarista britânico Brian Moser e do jornalista boliviano Freddy Alborta Trigo, ali estão, em detalhes, as últimas imagens de Che Guevara depois de fuzilado em 9 de outubro de 1967, na Bolívia, onde ele havia chegado 11 meses antes tentando reprisar a revolução que ajudara a fazer em Cuba.

Tonica Chagas, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

Naquele mesmo dia, Moser acompanhou o exame e o embalsamamento do corpo na lavanderia do hospital da cidadezinha de Vallegrande. Acrescidas de um frio ácido do preto e branco queimado pelo tempo, as fotos dele remetem ao quadro em que Rembrandt retratou, em 1632, o corpo de um criminoso executado servindo para estudos de anatomia. Uma freira de hábito branco a quem coube lavar o cadáver é a única presença feminina notada por Moser entre os uniformes de soldados e médicos.

Na manhã seguinte, Trigo documentou a apresentação oficial do corpo de Che à imprensa internacional. As fotos dele ficaram famosas principalmente pelo close no rosto, de olhos bem abertos. Exibidas juntas, as imagens de Moser e Trigo revelam uma diferença: na véspera, enquanto injetavam formol no corpo do guerrilheiro, seus olhos estavam fechados.

O corpo de Che teria sido enterrado num lugar secreto, descoberto em 1997. Os restos mortais encontrados no terreno do aeroporto de Vallegrande foram levados para Santa Clara, em Cuba, onde o revolucionário comandou uma batalha na derrubada de Batista. Mas há quem afirme que ele ainda está na Bolívia, onde muita gente o venera como santo.

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