Na TV paga, três denúncias em curta-metragem

O comportamento de crianças e adolescentes criados em meio à miséria econômica e social e cercados pela violência das grandes cidades é tema de três curtas-metragens que estréiam na programação do Canal Brasil hoje, às 20h, no programa Curta na Tela Especial: Palace 2, Distraída para a Morte e Rota de Colisão.Palace 2, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, mesmos diretores de Cidade de Deus, tem os garotos Darlan Silva e Douglas Cunha, moradores da favela na vida real, como Laranjinha e Acerola, agora bem conhecidos dos telespectadores da Globo, já que o filme já foi exibido no programa Brava Gente e os dois também foram protagonistas da minissérie Cidade dos Homens.No curta de 2001, os dois aspirantes a malandro tentam conseguir dinheiro para assistir a um show de pagode. Para isso, se oferecem para instalar um portão no barraco de uma senhora.Numa referência clara e irônica ao prédio Palace 2, que desabou em fevereiro de 1998, no Rio de Janeiro, por ter sido construído com material de baixa qualidade pela construtora de Sérgio Naya, os meninos usam mais areia do que cimento na instalação do portão - para ficar mais fácil roubá-lo na calada da noite, conseguindo um dinheirinho com sua venda.O diretor de Distraída para a Morte, Jéferson De, é o idealizador do movimento Dogma Feijoada - o nome é uma brincadeira com o movimento dinamarquês Dogma 95, que busca devolver a espontaneidade à narrativa cinematográfica. O manifesto de De tem causa mais pragmática: visa a inclusão do negro na produção audiovisual e, conseqüentemente, na sociedade brasileira.Na trama, três jovens negros (Fabinho Nepo, Xis e João Acaiabe) perambulam por uma grande cidade, vivendo situações nas quais a exclusão social e racial ficam patentes. São três experiências e três formas distintas de perceber o mundo, unidas por uma brincadeira de vida e de morte. Com Ruth de Souza, a quem o filme é dedicado.Rota de Colisão foi um dos representantes brasileiros, na categoria curtas, no Festival de Cannes, em 2000, e ganhou prêmios nos festivais de Brasília, em 99 (melhor fotografia e o de Cinema pela Infância), e do Internacional de Curtas, no Ceará, em 2000.Rodado em preto e branco e sem diálogos, passa-se no centro do Rio de Janeiro, onde três histórias, que têm as bolinhas de gude como ponto comum, se desenvolvem paralelamente e se entrelaçam no desfecho surpreendente.A montagem ágil imprime um ritmo engenhoso à história, que narra o encontro entre um menino que acaba de ganhar um inocente torneio de bolinhas de gude e um ladrão - carregando um saco de pedras preciosas - que está sendo perseguido pela polícia.

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