Na TV paga, cinco noites com Henry Fonda

Ele interpretou Abraham Lincoln e Wyatt Earp, dois mitos fundadores da América, em filmes dirigidos por John Ford, o Homero do cinema americano. De hoje a sexta-feira, sempre às 22 horas, o Telecine Classic, da Net/Sky, celebra a presença de Henry Fonda. O pai de Jane e Peter poderá ser visto hoje justamente em A Mocidade de Lincoln e, amanhã, em Ao Rufar dos Tambores, também de John Ford. Depois, até sexta, a Galeria Henry Fonda prossegue com: Vassalos da Ambição, de Franklin J. Schaffner, e Onze Homens e Uma Sentença e Limite de Segurança, os dois de Sidney Lumet.Grande Henry Fonda: demorou uma eternidade para ganhar seu Oscar e, quando o prêmio veio - por Num Lago Dourado, de Mark Rydell, em 1981 -, estava tão debilitado que foi a filha, Jane, quem subiu ao palco para agradecer a honraria. Sua última fase, com exceção desse filme, foi marcada por participações especiais em filmes não tão especiais assim. Em nenhum deles ele foi menos do que digno, com a serenidade que emanava dos seus olhos azuis - tão marcantes que Anthony Mann não teve outra escolha ao fazer o western O Homem dos Olhos Frios.John Ford e Anthony Mann e também Fritz Lang, Otto Preminger, Henry King e Joseph L. Mankiewicz: a carreira de Henry Fonda é marcada pela colaboração com grandes diretores. Com alguns, trabalhou mais de uma vez. Com Ford foram muitos filmes: além dos citados, As Vinhas da Ira, Paixão dos Fortes (no qual criou o xerife Wyatt Earp), O Fugitivo e Sangue de Herói. Teriam feito também Mister Roberts, se não se tivessem se desentendido. Fonda queria interpretar o papel como o fizera no palco, Ford queria outra coisa. Brigaram e a vontade de Fonda prevaleceu. Ford foi substituído por Mervyn DeRoy.A Mocidade de Lincol, que passa hoje, é um grande filme. Ford busca na juventude de Lincoln a origem do seu gênio político. E usa uma característica física do próprio Henry Fonda - as longas pernas, que lhe davam um jeito meio desengonçado - para criar não só o personagem, mas para estruturar a própria mise-en-scène e o conceito do filme. Lincoln talvez seja até meio ridículo, arrastando as pernas no seu burrico, logo no começo, mas o que começa ali é a trajetória de um mito fundador da cultura e do imaginário americanos.

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