Na TV, o curta que inspirou "Central do Brasil"

A história de Socorro Nobre, uma presidiária condenada a 21 anos de cadeia que se comove ao descobrir a obra do artista plástico polonês Franz Kracjberg e resolve escrever-lhe cartas é retratada pelo cineasta Walter Salles em Socorro Nobre, curta-metragem que vai ao ar hoje, no Canal Brasil , às 19h30 e 23h. Nessa história real, a protagonista compara sua vida à do artista, um refugiado de guerra que, como ela, teve que construir seu " paraíso interior". A atitude de "reescrever" a vida, concedendo a si mesma uma nova chance, foi o que inspirou Walter Salles a realizar o consagrado longa Central do Brasil.O curta de Walter Salles, produzido em 1994 e com 22 minutos de duração, inaugura uma faixa especial no Canal Brasil, intitulada 16 no (dia)16. Isso porque os filmes serão exibidos sempre no dia 16, e foram realizados em 16 mm. A diferença de bitolas (16mm ou 35mm) nem sempre é percebida pelo telespectador. Mas o filme 16mm, rodado com uma câmera mais leve e ágil, é o preferido dos cineastas que buscam soluções novas ou estão em início de carreira. Num tempo em que cinema digital e câmeras pequenas e possantes eram pura ficção científica, foi na bitola 16 mm e até em outra menor ainda, em super-8, que cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Paulo Cézar Saraceni e Cacá Diegues fizeram suas primeiras estripulias cinematográficas.Falta tela - Curtametragistas convictos costumam comparar suas produções aos contos literários, gênero no qual os escritores e leitores se esbaldam. Assim como há histórias que não rendem um romance, há as que não precisam de mais de uma hora de imagens, mas ficam muito bem contadas em vinte, dez ou cinco minutos. Paulo Machline que o diga: todo mundo torcia pela indicação de Eu Tu Eles ao Oscar, mas é o seu filme curto, Uma História de Futebol, sobre a infância de Pelé, a única esperança do Brasil receber um prêmio da Academia de Hollywood. O Canal Brasil exibirá o filme de Machline no dia da cerimônia de entrega do Oscar, 25 de março. As oportunidades de se assistir a filmes de curta-metragem, infelizmente, são raras, tanto nas salas de cinema quanto na televisão, mas não é por falta de público. Em São Paulo, o projeto Curta Petrobrás às Seis do Espaço Unibanco de Cinema, que exibe seleção de curtas em sessões gratuitas, sempre às 18h, recebeu 17.219 espectadores, de final de setembro até essa semana. A série Brava Gente Brasileira, da Rede Globo, em que diretores do núcleo de Guel Arraes produziram adaptações de contos literários, é outro bom exemplo. Os filmetes agradaram ao público, tanto que já há rumores de uma nova safra para abril ou maio.Também não faltam filmes que poderiam ser adquiridos pelas emissoras. Segundo Francisco Cesar Filho, documentarista e um dos organizadores do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, no ano de 2000 foram produzidos 130 curtas. Destes, pelos menos metade tem linguagem e qualidade que se adaptam às exigências da televisão. Resta aos telespectadores interessados nas histórias curtas ficarem de olho na programação do Canal Brasil, que além de 16 no (dia) 16, exibe curtas brasileiros no programa Curta na Tela, que vai ao ar todos os dias, em diversos horários. Na tevê aberta, a TV Cultura privilegia o formato curto no programa Zoom, que vai ao ar às quartas, às 23h30.

Agencia Estado,

16 de fevereiro de 2001 | 11h23

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