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Na TV e no cinema, Nelson Rodrigues também encontra seu público

Autor e dramaturgo recebeu adaptações elogiadas fora do teatro, mas também controversas

Marcio Claesen, estadão.com.br

22 de agosto de 2012 | 18h05

Do Cinema Novo à pornochanchada e chegando até à Retomada, as adaptações de Nelson Rodrigues para o cinema perpassaram décadas e movimentos cinematográficos.

A primeira peça do autor adaptada para o cinema foi Boca de Ouro (1963), sob direção de Nelson Pereira dos Santos. Na mesma década, sua obra voltaria aos cinemas outras vezes, como em A Falecida (1965) primeiro longa de Fernanda Montenegro - interpretando a protagonista Zulmira -, dirigido por Leon Hirszman. 

Nos anos 1970, Rodrigues veria seus textos ganharem multidões de espectadores nas telonas. Arnaldo Jabor adaptou Toda Nudez Será Castigada (1973) e o romance O Casamento (1975). Mais tarde, chegariam as produções que flertavam com a pornochanchada. "Elas seguiam a moda do mercado de então. E as pornochanchadas eram filmes produzidos com objetivos financeiros (atrair público, altas bilheterias). A qualidade da arte importava muito menos do que os lucros que viriam com ela", afirma a pesquisadora Jade Gandra Dutra Martins, que ministra a disciplina "Nelson Rodrigues no Cinema" na Universidade Federal de Santa Catarina. 

São dessa fase longas como Os Sete Gatinhos (1980), de Neville d'Almeida, e Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende (1981), Braz Chediak. As adaptações de Nelson deste período contribuíram para sua fama de "pornográfico", de acordo com Jade. "O problema está no fato de esse cinema ter escancarado essa sexualidade, explorando tudo o que ele trabalhava em sua obra, sobretudo o teatro, com extrema sutileza. Foi uma deturpação da sua autoria que contribuiu imensamente para a ideia (equivocadíssima) de muitos brasileiros sobre o autor."

No final dos 1990, as tragédias e farsas tão cariocas do pernambucano que foi para o Rio de Janeiro aos quatro anos, foram lembradas em outros dois longas. Traição (1998) foi um projeto oferecido primeiramente à televisão. Sem nenhum interesse das emissoras, ele transformou-se em um longa que reunia três histórias, cada uma conduzida por um diretor (Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique Fonseca). Um ano depois, Gêmeas, de Andrucha Waddington, que originalmente seria divulgado com o trio, recebeu lançamento solitário e duração de longa-metragem.

Nelson na TV

Na TV, a obra do escritor e dramaturgo aparece em telenovelas nos anos 1960, teve o seu auge nos anos 1990 e ganha novo fôlego este mês. Para a antiga TV Rio, Nelson escreveu novelas, como A Morta Sem Espelho (1963), que pelas características ousadas do texto do autor eram empurradas cada vez para mais tarde da noite. 

Na década de 1990, os textos de Nelson ganhariam um resgate na TV Globo. Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados, dirigida por Denise Saraceni, revelou a atriz Alessandra Negrini e o apresentou a um novo público. No ano seguinte, viria algo ainda mais ousado: Nelson no horário mais nobre da emissora no domingo. A Vida Como Ela É...apresentou 40 contos do autor durante o Fantástico com artistas do primeiro escalão da emissora sob a direção de Daniel Filho. 

"Eu propus fazer em película para que tivesse uma textura diferente e montei (o elenco) como se fosse uma companhia de teatro, que todos pudem fazer todos os tipos de A Vida Como Ela É..., contou Daniel em recente debate promovido pelo SESI-SP.

A partir do próximo domingo 26, quatro desses episódios voltam ao ar no mesmo programa dominical. O primeiro é A Esbofeteada, com Malu Mader, Cassio Gabus Mendes e Isabela Garcia. E ainda há público para Nelson? "Ele é o nosso grande clássico. Ele viveu e narrou momentos definitivos da cultura brasileira do século 20. Nelson Rodrigues não é apenas atual como jamais foi superado", conclui Jade.

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