Na TV, a Revolução de 32 para jovens

Mais uma vez a dupla Laís Bodanzkye Luiz Bolognesi entra em ação. Responsáveis pelo sucesso deBicho de Sete Cabeças, agora eles assinam documentário sobreos 70 anos da Revolução de 1932, com apoio da TV Cultura,da Assembléia Legislativa e do Estado. Apoiado em pesquisasdetalhadas, feitas nos principais arquivos históricos do País, oroteiro de A Guerra dos Paulistas promove um diálogo abertocom o público jovem, sem abrir mão das cenas de época, mescladascom depoimentos sensíveis. O documentário vai ao ar no sábado,às 21 horas. Durante quatro dias, Laís e sua equipe repetiram umarotina: montaram acampamento em um terreno lamacento na Academiade Polícia do Barro Branco. A partir de minuciosa pesquisaiconográfica, a equipe mista, formada por profissionais da TVCultura e free-lancers contratados pela direção, realizou umtrabalho fiel de reconstituição de época. Atores gravaram cenasde guerra em trincheiras, com direito a explosões de bombas. Afilmagem em preto-e-branco e super-8 dá o clima de época.Durante as cenas de combate, policiais treinavam tiros no local."A sensação de guerra tomou o set de filmagem. Os atores etodos da equipe foram envolvidos pelo impacto dos sons", contaLaís. Na cena acompanhada pela reportagem, havia três soldados- um jornalista, um barbeiro e um estudante. Homens semcapacetes, uniformes rasgados, em posse de revólveres calibre 38 sem balas suficientes, munidos de matracas - objetos queimitavam o som de metralhadoras com a finalidade de enganar oinimigo - e repletos de sonhos. "As pessoas se mobilizaram coma guerra, era uma vergonha não ir. Todos colaboravam de algumamaneira. A sociedade parou em função de um ideal, comconvicção", diz Laís. A diretora, grávida de cinco meses, coordena com cuidadotodos os detalhes da filmagem. Olhares, gestos e, principalmente, a emoção. "Essa é uma marca nossa: passamos uma mensagem comcarga emotiva. Não quisemos tratar a Revolução de 32 de maneiraburocrática. A narrativa é voltada para o público jovem, édinâmica, conta com imagens colhidas em arquivos, mas também temdez minutos de ficção. Fugimos do didatismo, mas ao mesmo tempotemos como pressuposto um público que já ouviu falar sobre oassunto, mas não conhece as dimensões", afirma o roteiristaLuiz Bolognesi. Há mais de dois anos estudando o assunto ao lado dohistoriador e coordenador da pesquisa, Marcelo Aith, Bolognesisurpreendeu-se com a dimensão dos fatos. "O episódio envolveumais de 300 mil pessoas, a população sofreu com bombardeiosaéreos e o saldo foi de mais de mil mortos. O assustador está nodesconhecimento - essa é uma guerra ignorada." Com o intuito de dar vivacidade à obra, há depoimentosde pessoas que participaram como combatentes e observadores quetrazem bagagem e olhar distanciado sobre os fatos. A narrativa,em linguagem coloquial, insere o espectador no contexto da época, de forma emocionante, do mesmo jeito que foram elaboradas ascampanhas de guerra. A ficção humaniza a história, como explicaBolognesi: "Fatos construídos por homens, personagens de carnee osso, aproximam as pessoas dos acontecimentos, instigam areflexão. Mostram como os combatentes chegavam despreparados paraenfrentar a dureza daquela realidade." A TV Cultura investe em documentários, produções emescala cuja meta é ampliar o repertório cultural da programação.Segundo o diretor do Núcleo de Documentários da TV Cultura,Mário Borgneth, há cerca de três anos a programação da emissorainveste na elaboração de documentários. "No documentário há umainvestigação séria, os temas são abordados com profundidade.Como releituras de fatos marcantes, é uma maneira de recuperarassuntos e estabelecer um diálogo com as novas gerações." Parcerias - Os temas escolhidos estão ligados aefemérides ou assuntos pouco abordados na mídia. "Adotamos alinha de jornalismo histórico, com a proposta de recuperar fatosrecentes por meio do audiovisual. De uma maneira geral, as tevêsnão produzem documentários com regularidade - são caros e nãovendem. Cabe, então, à tevê pública cumprir esse papel",comenta o diretor de jornalismo da emissora, Marco AntonioCoelho Filho. Para a execução, as parcerias são fundamentais. O documentário é uma realização inédita da TVCultura e da Assembléia Legislativa de São Paulo, com apoio deprodução do Grupo Estado, que abriu seus arquivos e forneceuimagens e vídeos. "Nunca foi realizado um documentário sobreesse momento histórico, que também marca a primeira co-produçãoda TV Assembléia, parceria que aponta para um novo caminho,a de prestação de serviços. Estamos em busca de parceiros paranovos projetos, como uma série que reconta a história de cidadespaulistas", explica o diretor da TV, Florestan Fernandes Jr.Serviço A Guerra dos Paulistas, de Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. TVCultura, sábado, às 21 horas.

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