Na tela, a faraônica Abu Dhabi

Mostra nos Emirados atrai grandes nomes e comprova opulência econômica e cultural da região

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2010 | 00h00

"Festivais de cinema são feitos para experimentar, aprender e dormir pouco, pois há sempre tanto para ver", brincou, muito seriamente, o diretor executivo do Abu Dhabi Film Festival, o mais importante evento de cinema do Oriente Médio, que há três anos tem trabalhado com afinco para incluir o público e a produção local no centro do cenário cinematográfico internacional. Convém considerar que, em plena semana de Mostra de São Paulo um festival de cinema na capital dos Emirados Árabes aparentemente não tem muito em comum com a cena cinematográfica brasileira. Mas, sob uma perspectiva mais aprofundada, há pontos que aproximam festivais em territórios que buscam afirmar seu papel. Mais que a presença do diretor Karim Ainouz, que foi jurado da mostra competitiva e também apresentou seu mais recente filme (Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo) na quinta à noite, Abu Dhabi e a brasileiríssima Mostra SP terão outros nomes em comum. A começar pelo iraniano Abbas Kiarostami. que voou da capital dos Emirados Árabes para São Paulo para apresentar seu mais recente filme: Cópia Fiel.

Destaque do festival de Cannes neste ano, o longa estrelado por Juliette Binoche teve recepção calorosa também na última quinta. Enquanto Karim apresentava Viajo Porque Preciso na sala 1 do Cinestar, Kiarostami falava com o público da sala 3 do mesmo complexo do suntuoso Marina Mall. "É muito especial poder mostrar meus filmes em festivais menores mas tão interessantes quanto Cannes. A aproximação como público é imprescindível para um diretor", comentou o iraniano.

Entre vários outros títulos, Metrópolis, clássico de Fritz Lang - que ganha atenção especial na Mostra neste ano e terá sessão ao ar livre hoje no Ibirapuera, também foi uma bela atração de Abu Dhabi. Há que se observar que é de fato triste que tantas produções do Oriente Médio não cheguem ao Brasil. A produção local vem ganhando vigor e conquistando mais espaço no mundo. "O Oriente Médio tinha produção irregular, mas isso vem melhorando. Estou adorando passar meu filme pela primeira vez em um país da região. Acho que este diálogo devia ser mais estreito", comentou Ainouz, que, de Abu Dhabi, viajou a Tóquio para ter uma reunião com o roteirista japonês de seu próximo filme: Favela High Tech.

Provando o vigor da cena cultural do Oriente, nomes do "cinemão" deram o ar da graça no tapete vermelho da faraônica Abu Dhabi. A lista incluiu Adrian Brody, Julianne Moore, Gérard Depardieu e Clive Owen. Julian Schnabel veio mostrar Miral pela primeira vez. Estrelado por Freida Pinto (de Slumdog Millionaire), o longa promete polêmica. "Sempre soube que fazer filme sobre mulheres árabes em território ocupado por israelenses, renderia críticas dos dois lados, palestino e judeu", declarou Schnabel.

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