Na SP-Arte, a vez das galerias de fora

Brasileiros sentiram a concorrência na 8ª feira

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2012 | 03h09

O quadro da pintora carioca Beatriz Milhazes, Mariposa (2004), que tinha como preço R$ 5,5 milhões no estande da Almeida & Dale e Hilda Araújo na 8.ª SP-Arte, não foi vendido na feira. Assim como nenhum dos três Boteros, avaliados entre US$ 255 mil e US$ 395 mil pelo marchand Leon Tovar, de Nova York. Quando se trata de mercado de arte, geralmente, somos colocados no terreno da especulação, mas, de uma maneira geral, os expositores da última Feira Internacional de Arte de São Paulo, encerrada no domingo, no Pavilhão da Bienal, afirmaram que a edição não foi estrondosa em vendas, mas seguidora de um ritmo constante relacionado a edições anteriores.

A novidade, este ano, era a validade de um decreto assinado com a Secretaria da Fazenda do governo estadual para que as compras de obras realizadas durante os cinco dias do evento ficassem isentas de pagar os 18% de ICMS, imposto recolhido na comercialização de mercadorias nas 47 galerias de São Paulo e nas 27 estrangeiras. "Não vi diferença nenhuma, ninguém me pediu mais desconto por causa do decreto", diz a galerista Laura Marsiaj, que tem galeria no Rio, mas desde 2011 mantém um espaço em São Paulo feito em parceria com Mariana Moura. "No ano passado foi melhor. A feira cresceu muito este ano e acho que isso deu uma dissipada nas vendas", continuou Laura, afirmando que sentiu a concorrência com as estrangeiras, entre elas, a destacada britânica White Cube, que representa artistas como Damien Hirst e Georg Baselitz.

"Essa concorrência faz parte do jogo", diz a galerista Luisa Strina, uma das mais importantes de São Paulo. "Comprei arte estrangeira, sempre compro, porque essas galerias estavam no Brasil, oficializadas, e não tive de pagar imposto", conta. Na verdade, como a galerista afirma, o decreto de desconto do imposto "favoreceu mais aos estrangeiros do que a nós". Sua maior venda, diz, foi a de uma edição do artista Edgard de Souza, por R$ 120 mil.

Não há ainda um balanço oficial de vendas da 8.ª SP-Arte e raras são as galerias que aceitam falar sobre suas obras comercializadas - as da White Cube, por exemplo, deveriam ser consultadas com a assessoria da galeria em Londres. "Vendemos para as mesmas pessoas de sempre, é um volume linear desde a primeira SP-Arte", diz Monica Tachotte, assistente da Almeida & Dale, especializada no mercado secundário, que atende diretamente a colecionadores. A Beatriz Milhazes de R$ 5,5 milhões estava supervalorizada? "O mercado de arte acompanha a economia, é como comprar um apartamento", sintetiza Monica. Entretanto, ela cita como uma das maiores vendas do estande a de uma pintura da década de 1990 feita por Luiz Zerbini, por R$ 300 mil.

Como já afirmou ao Estado a diretora e criadora da feira, Fernanda Feitosa, cerca de 90% do público não compra obras no evento. Este ano, a SP-Arte teve 110 expositores e ela acredita que no próximo poderá chegar aos 120. "Inevitável aumentar num cenário de crescimento do mercado." Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o segmento registrou US$ 60,1 milhões em exportações em 2011.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.