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Na sequência, ela falará de Fred Smith e música

Artista vai rever história do marido, do irmão e de Horses

, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

A cantora e escritora Patti Smith adiantou, na entrevista ao Estado, que vai escrever a sequência de Só Garotos. "No próximo, eu vou falar mais de música, que deixei de lado nesse volume. Falarei sobre o que me inspirou nas canções de Horses", revelou.

Bob Dylan fez, em suas crônicas, um retrato dos anos 50. Você fez um retrato dos anos 70 em Nova York. Era sua ambição também reavaliar uma época?

Minha ambição foi fazer as pessoas verem, como num filme. Nada foi pensado, calculado, e também não tive uma ideia acadêmica, de examinar uma era.

Cada parágrafo é pontuado por referências musicais. Dá para fazer uma trilha sonora do livro.

Mas tudo entra como parte da memória daquele momento. No próximo livro, vou falar mais de música propriamente. Vou abordar minha vida com meu irmão, Todd, e com meu marido, Fred. Também vou falar do que me inspirou nas canções de Horses.

No seu discurso, ao receber o National Book Award, você disse: "Não importa quanto avancemos tecnologicamente, não abandonem o livro. Não há nada mais bonito, no nosso mundo material, do que um livro." Mas você usa muito tecnologia, tem blog ativo.

Não sou uma inimiga. Há muita baboseira na internet e as pessoas mentem muito. Mas há também a beleza da comunicação global. A tecnologia está aqui para nos servir, não o contrário. De qualquer forma, não sou muito tecnológica. Meu laptop funciona, na maior parte do tempo, como um candelabro.

No final, Só Garotos é também uma bela história de amor. Você é uma romântica, mas não no sentido clássico. Não exalta valores morais.

Não fiz esse livro para examinar o certo ou o errado. Toda a vida trata da luta para manter a verdade no coração, para assegurar a verdade da comunicação entre as pessoas. Foi difícil. Eu e Robert éramos jovens, desapontamos um ao outro. Mas, no fim, nunca houve a mentira entre nós. Não escrevi esse livro para julgar ninguém, nem amigos, nem inimigos, nem artistas da época. Robert era um artista no sentido amplo: fez filmes, construções visuais, design. No final, me dizia que queria desenhar esculturas. Para ele, a fotografia era um ensaio sobre a luz. E ele já estava procurando pela coisa seguinte.

 

Veja também:

link A balada de Patti e Robert

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