François Guillot/AFP
François Guillot/AFP

Na Semana de Moda de Paris, Dior evoca #MeToo

Um letreiro com a palavra 'consentimento' sinalizou que a diretora criativa Maria Grazia Chiuri exploraria a temática feminista

AP, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 16h23

"Consentimento, consentimento, consentimento", brilhavam as luzes em neon no último desfile da Dior, na Semana de Moda de Paris. O letreiro sinalizou que a primeira diretora criativa da casa, Maria Grazia Chiuri, continuaria a explorar a pedra de toque do feminismo nesta campanha de outono-inverno 2020.

O conjunto, fruto de colaboração com a artista Claire Fontaine, teve forte impacto entre os convidados VIP, incluindo a atriz Sigourney Weaver e a cantora Carla Bruni. Alguns pararam para pensar, especialmente porque houve atraso para o início do desfile, em discussões da era #MeToo e sua influência na arte — isso tudo um dia depois Harvey Weinstein ter sido condenado por estupro e agressão sexual.

Os projetos em si, de modo inteligente, revelaram a ideia de empoderamento logo de início, como por exemplo a reinvenção de uma jaqueta da Dior, com camisa masculina e gravata de negócios, em uma modelo feminina, com penteado curto de duende. Foi a declaração de moda mais forte do desfile.

A proposta feminista e andrógina, infelizmente, desapareceu rapidamente entre os 84 looks apresentados, o que deu a entender que, para Chiuri, tratava-se mais de um truque de marketing do que uma proposta consistente. 

O restante do desfile foi marcado por motivos que já entraram e saíram de outras coleções da Dior — como o poá e o xadrez — com diferentes graus de sucesso. Uma atmosfera boho dos anos 1970 esteve presente em lenços de cabeça de seda com diferentes estampas.

Os quadriculados, que evocaram o antigo diretor da Dior, Marc Bohan, designer durante aquela época retrô, apareceram em bege e em visuais completos. Por vezes, associado a franjas, esses looks não pareciam muito diferente de uma luxuosa toalha de mesa. Sandálias de salto baixo, com o conceito "ready-to-wear", aproximaram o desfile da "realidade". 

Um lembrete das preocupações da vida cotidiana estava incluído nas notas do desfile. Embora nenhum dos iniciados em moda, com exceção de um, parecesse estar usando uma máscara contra o novo coronavírus que abalou a Milan Fashion Week, a Dior escreveu que "todos os nossos pensamentos estão com nossas equipes, clientes, amigos e parceiros em Ásia, Itália, em todo o mundo".

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