"Na Real" volta às origens em sua décima temporada

Estreou ontem na MTV americana a décima temporada de um de seus programas de maior sucesso, Na Real ("Real World"), o show em que sete estranhos vão morar juntos por seis meses. Em sua edição de aniversário, o programa volta às origens: Nova York, onde foi sua estréia em 1991.Real World X, como é chamado, já estreou com muita confusão. E a polêmica da vez é racial. Um dos participantes, Mike, 19 anos, de Parma, Ohio, que não conhece nada além de sua realidade branca, classe média e ingênua do interior, diz que tem um tio que não contrata negros porque acha que eles são preguiçosos. Ele desperta a raiva de Coral, de 22 anos, a mais "briguenta" do grupo. De uma família negra e pobre de São Francisco, ela conseguiu estudar e ir para uma das universidades de elite. No fim, tudo terminou bem e os dois fizeram as pazes.As diferenças raciais são a tônica desta edição do programa, de acordo com os produtores Mary-Ellis Bunim e Jon Murray. Nas últimas temporadas, os problemas foram outros. No Havaí, em 1999 o público assistiu a luta de Ruthie contra o alcoolismo a ponto de os produtores terem de interceder e colocá-la em uma clínica de reabilitação, durante as filmagens. Em Nova Orleans, no ano passado, o destaque foi a crise de Julie, dividida entre a religião mórmon e sua vontade de "conhecer a vida".Até hoje, nada superou a luta do participante Pedro Zamora com a aids, em 1993. O ativista gay morreu logo depois de gravar o programa, enquanto o show ainda não tinha entrado no ar. Sua história cativou o público e chegou a tocar o presidente Bill Clinton, que quis conhecer a família do rapaz. Outras edições do programa foram realizadas em Los Angeles, Londres, Seattle, Miami e Boston.Os outros participantes desta edição, gravada em uma casa enorme no West Village, em Manhattan, são: Kevin, 22, de Austin, Texas, que foi tratado de câncer na adolescência e teve uma longa batalha contra a doença; Lori, 21, de Roseland, New Jersey, uma cantora iniciante que diz gostar de situações dramáticas; Malik, 23, de Berkeley, Califórnia, negro, que é DJ, usa o cabelo afro e parece ser até agora a pessoa mais simpática do grupo; Nicole, 22, de Atlanta, que viu sua mãe envolvida em um relacionamento violento com seu pai; e Rachel, 18, de Chicago, a virgem do grupo, que vem de uma família de classe média alta.As maiores críticas a Na Real são à falta de "realidade" do programa. Para começar, jovens de 18 a 22 anos nunca conseguiriam morar em uma casa grande e renovada em Manhattan, cujo aluguel custaria pelo menos de US$ 15 mil por mês. Sem empregos, eles não conseguiriam morar em Manhattan. E ponto. Para o público em geral, isso não tem a menor importância. O interesse é quem beijou quem, quem brigou com quem e, ultimamente, quem é gay. Todas as últimas temporadas da série tiveram pelo menos um participante gay ou lésbica. Esta, por enquanto, não.

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