Acervo Estadão
Capa da edição impressa do 'Estadão' de 24 de março de 2020, dia da primeira edição do 'Na Quarentena' Acervo Estadão

'Na Quarentena' completa um ano observando o cotidiano da pandemia

Caderno impresso reúne o melhor de Cultura, Paladar, Viagem, Aliás e Casa

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 05h00

Nesta quarta-feira, 24, o Na Quarentena completa um ano acompanhando as vidas dos brasileiros em meio à pandemia de covid-19. O Na Quarentena é um caderno da edição impressa do Estadão que reúne os melhores conteúdos das editorias de Cultura, Aliás, Casa, Viagem e Paladar.

Durante este ano, o Na Quarentena deu dicas de receitas, filmes, livros, música, decoração, saúde, viagem e comportamento para os leitores que estão confinados.

Confira abaixo uma seleção com as matérias de maior destaque publicadas durante o primeiro ano do Na Quarentena:

 

Cultura

'Precisamos entender que essa é uma crise política e não apenas de saúde', diz Yuval Noah Harari em entrevista a Luciano Huck

Para Yuval Harari, pandemia criou “experimentos sociais incríveis”, mas “lógica da guerra” é risco para democracias.

"Em novembro, quando a covid-19 ainda não dava sinais de existir, eu e Yuval Noah Harari caminhávamos pelas ruas estreitas da comunidade de Tavares Bastos, no Morro da Nova Cintra, no Rio de Janeiro. Ao saber que Harari vinha ao Brasil para dar palestras bem pagas a empresários da Faria Lima e falar no Congresso, fiz uma provocação: queria que ele conhecesse o Brasil “de verdade”, aquele que vive a desigualdade sobre a qual ele discorre em seus fantásticos best-sellers." Leia mais

 

'Escrever é como girar a faca na ferida', diz Elena Ferrante

Em rara entrevista, escritora italiana fala sobre processo de criação, literatura feita por mulheres, inspirações e de personagens preferidos.

"Elena Ferrante não passa de um pseudônimo de alguém misterioso que prefere o anonimato. Diversas especulações já foram levantadas para revelar sua verdadeira identidade, mas nada foi definido. A escritora só concedeu raras entrevistas e sempre por e-mail. O que acontece agora, no lançamento de A Vida Mentirosa dos Adultos: Elena respondeu as questões propostas por 28 tradutores de sua obra em diversos países - e que o Estadão publica com exclusividade." Leia mais

 

Ela previu o coronavírus; o que ela tem a dizer sobre o pós-pandemia

Para a jornalista Laurie Garrett, vencedora do Pulitzer e pesquisadora de Harvard, no melhor cenário possível ainda teremos 36 meses de crise.

Eu disse a Laurie Garrett que ela poderia trocar o seu nome por Cassandra. De qualquer maneira, todos a chamam assim, agora. Eu e ela estávamos no Zoom (programa para videoconferência) – e ela pegou um livro de 2017, Finding Cassandras to Stop Catastrophes. A obra observa que Laurie, Prêmio Pulitzer de jornalismo, previu não apenas o impacto do HIV, com também o surgimento e a propagação em todo o globo de patógenos mais contagiosos. Leia mais

 

Aliás

 

Especialistas em mais de uma área correm risco de extinção, alerta historiador Peter Burke

No livro O Polímata: uma História Cultural de Leonardo da Vinci a Susan Sontag, o historiador inglês explora a capacidade de alguns intelectuais de se dedicar a diversos saberes.

"O inglês Peter Burke, 84 anos, é um dos mais renomados historiadores culturais da atualidade. Foi professor nas cadeiras de História da Europa e de História das Ideias, posteriormente denominada História Intelectual, na School of European Studies da Universidade de Sussex (1962). Foi pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton em 1967. Atualmente é professor de História Cultural na Universidade de Cambridge." Leia mais

 

Livro de linguista francesa decifra dialeto particular de Trump

'A Língua de Trump' é uma análise detalhada das falas do político, mostrando como sua sintaxe truncada, seu vocabulário raso e sua repetição de palavras foram características fundamentais para sua retórica.

"Quando Donald Trump irrompeu no cenário político internacional, jornalistas incumbidos de traduzir seus discursos, ou melhor, suas “falas”, necessitaram de um período de adaptação pois o presidente, assumindo o papel de ser “antissistema”, rompeu com os todos os padrões da linguagem pública e, com sua eleição, os Estados Unidos e o restante do mundo sofreram uma forte mutação no universo moral da comunicação. Talvez os jornalistas que mais sofreram neste período foram os tradutores, que tiveram que arrancar muitos cabelos: tanto na escala da frase quanto na do discurso, os elementos que compõem a linguagem trumpiana apareciam incompletos e desprovidos de sentido. Para quem escutava ou traduzia, a impressão era de estar frente a um emissor que lançava palavras para todos os lados, sem nenhum fio condutor. Foi esta experiência difícil que levou Bérengère Viennot, linguista francesa e tradutora de textos jornalísticos, a realizar uma sondagem ampla, baseada na centena de discursos, entrevistas, mas sobretudo em cerca de 700 tuítes de Trump, para escrever A Língua de Trump, uma análise detalhada das falas presidenciais." Leia mais

 

Dez livros para compreender o atual momento político do planeta

Obras de historiadores, economistas, jornalistas e filósofos ajudam o leitor a se contextualizar em meio à ascensão do populismo no mundo.

Com a ascensão de regimes populistas em diversos países pelo mundo e as constantes ameaças à democracia testemunhadas pela comunidade internacional, cientistas políticos, sociólogos, economistas, historiadores, jornalistas, filósofos e intelectuais das humanidades de modo geral vêm publicando cada vez mais obras para tentar captar e compreender o momento atual da política. Leia mais

 

Paladar

 

Campeões de venda: degustação às cegas avaliou 27 vinhos tintos de até R$ 100

Rótulos escolhidos estão entre os mais vendidos por importadoras e produtores brasileiros.

"Qual o seu vinho tinto mais vendido com preço de até R$ 100? A resposta a essa pergunta são as 27 amostras descritas ao longo dessa reportagem. Elas representam os rótulos campeões de venda de importadoras e produtores brasileiros até essa faixa de preço – o mais caro custa exatos R$ 99,89. Foram todos degustados às cegas, sem saber que amostra corresponde a cada rótulo, com a proposta de encontrar tintos que não custem uma fortuna, que tenham qualidade e, de preferência, apresentem aquele conceito de bom custo-benefício." Leia mais

 

78 receitas de bacalhau para fazer em casa, no domingo de Páscoa

Fresco, dessalgado, em postas, em lascas ou desfiado, o bacalhau pode ser preparado de diversas maneiras na cozinha.

"Não, a ideia (infelizmente) não é reunir a família toda em volta da mesa para o almoço de Páscoa, mas, sim, que você não deixe essa data passar em branco - seja para comer sozinho, a dois, três ou com quem mais você esteja "quarentenado"." Leia mais

 

Como fazer pizza ‘de profissional’ em casa

Aprenda a fazer a massa e o molho, veja dicas de como escolher os recheios, saiba turbinar seu forno doméstico e mais truques para a pizza caseira perfeita.

"A pizza perfeita é bem assada, com a massa leve, bordas altas e aeradas, base firme, cobertura equilibrada. Irresistível. Coisa de profissional, certo? Não necessariamente!" Leia mais

 

Viagem

 

Passeios perto de São Paulo para um bate-volta

Tour por fazenda de café, parque de diversões, passeio a cavalo, voo de balão ou visita a vinícolas: ideias que podem ser aproveitadas por diferentes perfis.

"Álcool em gel na bolsa, máscaras para trocar ao longo do dia, tudo pronto para pegar a estrada. Pensando em quem busca passeios perto de São Paulo, separamos destinos a até 150 quilômetros da capital. São ideias para diversos perfis e caem bem para um bate-volta – algumas atrações vão funcionar, de 12 a 17 de fevereiro, nos dias que seriam o carnaval." Leia mais

 

Como serão as viagens de negócio pós-pandemia?

Hotéis sem carregadores, convenção sem bufê, palestras sem perguntas: uma crônica sobre possibilidades.

"Os governos estão querendo que as pessoas voltem a trabalhar para limitar os danos econômicos da covid-19. E algumas empresas também estarão ansiosas para fazer funcionários se deslocarem em busca de clientes. Mas é improvável que uma vacina esteja pronta antes de, pelo menos, 12 meses. Portanto, a próxima viagem de negócios que você fizer pode ser um teste de resistência. Imagine os anúncios nos alto-falantes que os viajantes ouvirão." Leia mais

 

Como a pandemia mudará nossas viagens em 2021

Quando os cruzeiros voltarão à normalidade? Será exigido um certificado de vacinação contra a covid-19? Confira algumas tendências para o ano.

"O mundo das viagens viveu uma montanha-russa em 2020. Mesmo com o início das campanhas de vacinação nos Estados Unidos e na Europa, os países fecharam as fronteiras para visitantes do Reino Unido, por causa de uma nova cepa do coronavírus. E, mesmo que o número de pessoas voando nos Estados Unidos venha aumentando novamente - chegando a 1 milhão por dia no fim de semana antes do Natal - permanece em vigor em muitas partes do país uma colcha de retalhos de quarentenas e regulamentos de testagem." Leia mais

 

Casa

 

O hall do 'novo normal'

Em tempos pós-pandemia, porta de entrada da casa ganha novo significado e relevância.

"A pandemia causada pelo coronavírus está modificando a forma como vivemos as nossas casas. Já incorporado à rotina doméstica, o home office hoje divide espaço com a sala, ao mesmo tempo que áreas reservadas para a prática de exercícios físicos já ocupam boa parte do quarto. Mas em nenhum outro ambiente o impacto foi tão evidente quanto no hall de entrada." Leia mais

 

Como fazer uma composteira

Processo de compostagem diminui os resíduos destinado aos lixões e, de quebra, te ajuda no cuidado com as plantas.

"São tempos de novos hábitos. Além da já obrigatória lavagem de mãos, alguns passaram a cozinhar a própria comida, outros a dividir o local de trabalho com o de estudo dos filhos. Nessa onda de mudanças, que tal começar a olhar para seu lixo de uma outra forma? Com mais tempo em casa, pode ser um bom momento para ter uma composteira." Leia mais

 

Jardim vertical: dicas para montar o cantinho verde

Saiba quais são as plantas mais indicadas para você cultivar.

"Os jardins verticais têm conquistado cada vez mais espaço nos projetos comerciais e residenciais. Além de embelezar os ambientes, eles reduzem a temperatura, melhoram a qualidade do ar e ainda podem atuar como barreira sonora. Na maioria dos casos, o espaço tem o objetivo de trazer a natureza para perto do morador, ou ser uma solução para casas com pouco espaço para jardins e hortas. Seja nos ambientes internos ou externos, dispor de um trecho da natureza em casa é sempre uma boa escolha, por isso o recurso virou um queridinho na decoração." Leia mais

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Após um ano de 'Na Quarentena', como está a rotina dos entrevistados?

Ao longo deste ano pandêmico, muitas pessoas foram entrevistadas sobre como, de alguma forma, tiveram a vida revolucionada pela covid. Agora, alguns daqueles personagens contam o que aconteceu em suas vidas

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 05h00

Quando saiu a primeira edição do caderno Na Quarentena, em 24 de março de 2020, a expectativa era de que a pandemia passasse logo e a rotina se restabelecesse em alguns meses. Não foi o que aconteceu. Como já é sabido, a pandemia não só não terminou como se agravou no Brasil.

Ao longo deste ano pandêmico, muitas pessoas foram entrevistadas sobre como, de alguma forma, tiveram a vida revolucionada pela covid. Agora, alguns daqueles personagens foram novamente contatados para saber como passaram este um ano. O que aconteceu? O que mudou? Quem já se vacinou?

Quando entrevistado em julho do ano passado, o escritor Felipe Franco Munhoz e a família estavam completamente isolados em casa, sem contato nem sequer com entregadores de delivery, por 140 dias. Esse período, sem ao menos uma escapadinha para ir ao supermercado ou farmácia, se estendeu por 313 dias.

Mas, no último dia 22 de janeiro, Felipe pôs os pés para fora de casa. Não foi por um motivo qualquer, mas para a realização de um projeto que vinha alimentando desde a adolescência: gravar as próprias composições.

A gravação da voz foi no estúdio do pianista André Mehmari, na Serra da Cantareira. “Na ocasião, achei que era o caso de encarar – com todos os cuidados e medidas de distanciamento. Agora, eu e minha família voltamos ao isolamento total. Ao mesmo esquema que existia antes”, contou. Em breve, as gravações de Munhoz devem estar disponíveis ao público.

Nosso outro personagem está longe, bem longe, e quando conversamos pela primeira vez, ele falava sobre a inveja que sua vida confortável, em plena pandemia, causava em algumas pessoas.

O publicitário Leonardo Nicolia, de 41, está vivendo desde março de 2020 em uma praia de Santa Teresa, na Costa Rica. Ele, literalmente, ficou preso na cidade – quando as fronteiras daquele país se fecharam como consequência da covid. Na nossa primeira conversa, Nicolia estava satisfeito com o seu destino: “Eu fiquei preso no paraíso. Surfo todo dia, toco violão, montei uma banda, faço ioga, perdi 5 quilos. Tenho trabalhado daqui. Não pretendo voltar para o Brasil tão cedo. Decidi aceitar esse presente da vida”.

Nicolia não voltou mesmo e continua em Santa Teresa, na Costa Rica. “A vida aqui mudou meu ângulo de visão. Fiz uma transição profissional. Adaptei, deleguei, toco meus negócios daqui. Não quero mais voltar, não quero morar em São Paulo outra vez. Na hora de apertar o botão para comprar passagens para voltar, alguma coisa me faz desistir. Estou próximo da natureza e não quero voltar atrás”, revelou.

Do Palacete dos Artistas, imóvel de um programa de Locação Social da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab), em que os moradores são, prioritariamente, idosos que exerceram (e ainda exercem) carreira artística, encontramos a atriz Valéria Del Pietro, de 70 anos, e o cantor Raimundo José, de 77 anos.

Na nossa primeira visita, ainda não existia vacina e a dupla evitava sair de seus apartamentos. Ao mesmo tempo, apesar do isolamento, faziam planos para o futuro. Valéria, que foi diretora e coordenadora de projetos de teatro na Febem, na qual dirigiu Num Lugar de La Mancha – Amores e Aventuras de Dom Quixote, baseado no clássico Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, estava amadurecendo a ideia de um projeto sobre textos de Simone de Beauvoir.

Ao voltar ao Palacete, a primeira boa notícia. Val já tomou a primeira dose da vacina contra a covid (por atuar em um projeto de atendimento para idosos). Já o projeto teatral mudou um pouco. “Até agora, não mexi mais com a Simone. Acabei me interessando por um conto do Julio Cortázar, a Casa Tomada (que trata de um casal de irmãos, de idade avançada, que tem a casa tomada por desconhecidos). Estou muito animada para voltar a trabalhar”, contou.

No mesmo andar de Valéria, vive o cantor Raimundo José. Nascido em Minas Gerais, ele começou a cantar aos 10 anos em corais e programas infantis. Como artista, já em São Paulo, fez o circuito da noite, cantando em teatros, bares e boates. José é da turma de nomes como Agnaldo Timóteo (José foi assessor de Timóteo durante o primeiro mandato do cantor como vereador em São Paulo), Nelson Ned e Clara Nunes. Ele chegou a vender 500 mil cópias com a canção Santo Forte.

Quando nos encontramos pela primeira vez, ele cumpria quarentena, saía muito pouco do seu apartamento e pensava em um disco novo, em arranjos e orquestrações. “Agora, estou vacinado e esperando a segunda dose. A segunda picadinha. Não gravei disco novo, mas participei de um projeto chamado Festival Vozes da Melhor Idade, que já está disponível no YouTube”, afirmou.

Aprendizados. Muita coisa mudou na vida de muita gente. Quando a pandemia começou, conversamos com a administradora de empresas Priscila Cavalcante. Na ocasião, ela contou que sempre flertou com a música, mas nunca teve tempo para se dedicar às aulas. “Meu pai me colocou no piano, mas eu sempre quis tocar violão. Depois, bem mais tarde, ganhei um violão do meu ex-marido, mas foi quando descobri que estava grávida. Minha cabeça mudou e eu deixei o violão de lado”, disse.

Quando a quarentena começou, ela decidiu que era hora de se reconectar com um sonho antigo e começou a fazer aulas online de violão duas vezes por semana.

E agora, como estão as aulas de violão da Priscila? “Fiquei 6 meses fazendo aulas virtuais, aí, em setembro, quando achei que tinha dado uma melhorada na pandemia, fui para as aulas presenciais. O online quebrou o galho, mas foram as aulas presenciais que deram um gás muito maior no meu aprendizado”, lembrou. Hoje, claro, Priscila voltou para as aulas virtuais. A música que ela mais gosta de tocar é Yellow Submarine, dos Beatles.

Mas Priscila não parou no violão. Ela tem aproveitado o período de home office e pandemia para realizar alguns sonhos e investir em autoconhecimento. “Mudei de casa, fiz um curso de jardinagem e botânica e agora tenho uma varanda com flores. Montei um espaço zen no meu apartamento, um lugar de contemplação para eu olhar para dentro de mim. Além disso, fiz um curso de drinques pelo YouTube, algo que eu sempre quis fazer”, falou.

Por fim, reencontramos a professora Cynthia Rachel Esperança. No ano passado, Cynthia escrevia um diário de isolamento. Na ocasião, ela disse: “É relatar para não surtar. Estamos vivendo um período em que não podemos fazer as coisas simples da vida. Se alguém tosse do meu lado, tenho vontade de chorar. Tudo isso é um impulso para escrever. Tento transformar fatos dolorosos e tristes em algo engraçado”.

Hoje, quase um ano depois, o diário continua. Cynthia segue colocando seus sentimentos no papel (e na tela do computador). Agora, ela saiu do Rio de Janeiro e está em Salvador, trabalhando como assistente de direção de um documentário.

Cynthia diz fazer do seu sobrenome (Esperança) uma bandeira, mas ainda não consegue enxergar a luz no fim do túnel da pandemia. “Faço 37 anos no dia 13 de maio. Queria muito ser vacinada até esse dia, mas, infelizmente, não é o que parece que vai acontecer. Mas seguimos lutando”, falou.

Em abril do ano passado, Cynthia escreveu em seu diário: “13/4 – Dia de terror! Mercado, hortifrúti, farmácia... aglomeração. As pessoas não estão levando o vírus a sério. Enfim, hoje eu saí de máscara. Tá difícil encarar as ruas sem proteção. Mas o pior de tudo é a volta das compras. Eu queria ter uma máquina de lavar compras. Só isso. É uma maratona de higienização que cansa... muito. Ah, hoje faz um mês que a quarentena começou. Falta um mês para o meu aniversário”.

Em janeiro deste ano (entre os dias 18 e 20), Cynthia escreveu em seu diário: “Estou a caminho da casa da mamãe. Meu irmão e eu vamos passar uns dias lá/ Mamãe está feliz com a gente aqui. Meu irmão cuidando da comida, e eu na arrumação da casa/ Dia de São Sebastião. Dia do meu padroeiro. Eu só peço que ele olhe por todos nós que recorremos a ele, e aos que não recorrem também”.

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