Na onda do Kooks

Bela banda da nova safra do britpop, grupo anuncia vinda ao Brasil no início do ano

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h06

O Oasis acabou, o Blur parecia mais um zumbi em seu retorno. Mas o britpop não morreu, está só encoberto por uma cortina de fumaça. Quem diz isso é Hugh Harris, guitarrista de uma das bandas inglesas mais bacanas da atualidade, The Kooks. O grupo acaba de lançar seu terceiro disco, Junk of the Heart (EMI Music), produzido por Tony Hoffer (de Beck, Air e Belle & Sebastian), e a combustão de batidas quebradas com violões e guitarras parece soprar uma brisa no combalido rock britânico de 2011.

"As rádios não estão tocando o que sai de mais bacana na música britânica. E as boas bandas estão tendo poucas oportunidades para tocar em boas casas de shows. Tenho visto grupos incríveis que não vejo nos clubes, não ouço no rádio, não vejo resenha. Há coisas fantásticas sendo feitas", disse Harris, falando ao Estado por telefone, no início da semana. "Sinceramente, não vejo uma crise de inspiração". Harris contou que a banda já tem um contrato fechado para voltar a tocar no Brasil entre março e maio do ano que vem, mas não sabe dizer se será no festival Lollapalooza, confirmado para o Jockey Club no início do ano que vem. Eles já vieram ao Via Funchal em 2009.

"Quero fazer você feliz, quero fazer você se sentir vivo", canta o vocalista da banda, Luke Pritchard, na faixa título do novo disco dos Kooks. A sonoridade, menos afeita à fórmula que os projetou em Konk (gravado no estúdio de Ray Davies, dos Kinks, e lançado em 2008), e que os levou a comparações mal recebidas com Kaiser Chiefs e Arctic Monkeys, está mais eclética e imprevisível no novo álbum. Em Taking Pictures of You, eles usam sintetizadores e efeitos reversos de guitarra para obter uma metálica balada de drive-in.

O componente de "polêmica" também está presente. O cantor Luke Pritchard assumiu recentemente que uma das canções do disco, Mr. Nice Guy, foi inspirada na cocaína. Na verdade, foi uma leitura crítica do ambiente social que se cria em torno da cocaína, "caras que só falam sobre si mesmos e não ouvem ninguém mais ao redor". Pritchard fez uma severa autocrítica. "Tenho andado meio perdido, e não só em relação a mulheres e relacionamentos. Devagar eu me dei conta de que ia aos mesmos bares toda noite, entrando no mesmo estado de confusão mental, e pensei: 'o que está me motivando de verdade?".

A reflexão teve um ponto de partida: o baixista da banda, Max Rafferty, foi demitido do grupo alegadamente por conta de seu vício em cocaína, mas ele nega: diz que foi colocado para fora por ter externado sua opinião sobre o disco Konk. "Eu não achei Konk muito bom, e disse a eles. Estava infeliz com toda a situação, mas isso soou como se eu estivesse tendo um gigantesco problema com drogas", afirmou.

De acordo com Hugh Harris, o relacionamento entre integrantes do grupo e a transposição de seus problemas e dúvidas existenciais para as canções se deve a um pacto de integridade. "Nós não mentimos uns para os outros. Mantivemos desde sempre uma forte amizade, e já estamos tocando juntos há muito tempo para fingirmos esse tipo de coisa. Mas uma coisa são os problemas pessoais, a outra é nossa preocupação com a música", afirmou o guitarrista.

De acordo com Harris, o Kooks não está à procura de sintetizar uma fórmula, mas de ir adiante com sua música, não importa qual a repercussão. "Essa é a minha vida, baseada numa só regra: musicalmente, não há limites. É preciso ir adiante, mas também não é possível inventar que a gente sabe o caminho. Estamos em busca dele".

"Queríamos algo novo e de qualidade. Tentamos muitas coisas diferentes, mas todas tinham uma função. A guitarra reverse foi para combinar com o canto. É de fato um disco de transição, buscamos coisas que se aproximassem dos sons que tínhamos em mente", diz o músico.

A atenção da imprensa musical migrou para The Kooks em 2006, quando Mick Jagger os escolheu para abrir shows dos Rolling Stones. Não que tenham sido alguma unanimidade. A revista Rolling Stone escreveu que eles soavam como "uma versão dos Spin Doctors com sotaque inglês". O líder da banda, Luke Pritchard, é filho do músico inglês Bob Pritchard, que morreu quando o garoto tinha apenas 3 anos.

O nome da banda foi tirado da canção homônima contida no álbum de David Bowie de 1971, Hunky Dory. O grupo foi formado na faculdade, na metade dos anos 2000 - todos os integrantes estudavam no Brighton Music College.

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