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Na nova novela das 7, vaidade vem de berço

A beleza literalmente põe a mesa na casa da divertida Íntima, de 'Aquele Beijo'

Patrícia Villalba,

16 de outubro de 2011 | 09h00

RIO DE JANEIRO - Como as filhas, que parecem saídas de linhas de montagem, as "mães de misses" seguem um padrão de conduta que acabou por definir aquele tipo de mulher que se realiza com a beleza e sucesso da filha, geralmente a - não ouse questionar - mais bela das criaturas. Mas o conceito "mãe de miss" não será mais o mesmo depois que a Íntima entrar em cena em Aquele Beijo, nova trama das 7 que estreia amanhã na Globo. Não se sabe o quanto o nome pouco comum terá de influência sobre a personalidade da personagem, mas a escolha de Elizangela para o papel já denuncia - só pode se tratar de uma criatura divertida. "A família é hilariante, mas não sei se a Íntima é muito feliz, não...", analisa a atriz, em conversa com o Estado.

 

Na trama escrita por Miguel Falabella e dirigida por Cininha de Paula, Íntima é mãe de Belezinha (Bruna Marquezine), adolescente que desde criança faz peregrinação por concursos de beleza. "Acho que ela acabou se acostumando com a situação, mas agora, na adolescência, começa a querer ser uma pessoa normal", pondera Bruna, sentada num dos camarins do Projac, enquanto a cabeleireira trata de lhe fazer mil cachos no cabelo. Mas miss não é uma "pessoa normal"? Não numa novela de Falabella...

 

É que além de impor a rotina de concursos à filha, Íntima é apegada aos anos 60. O marido, Bob Falcão (Sandro Christopher), não se limita a ser fã de Elvis Presley - trabalha se apresentando como sósia dele. Em ritmo e estética de bolero, a família mora na Vila Caiada, bairro fictício que poderia estar em qualquer parte do subúrbio carioca e é um dos cenários principais da novela. "Não ficou claro se há alguma coisa no passado dela em relação a esses concursos - se, de repente, ela quis ser miss e não pôde, ou algo do gênero. Acho que tem mais a ver com vaidade mesmo", observa Elizangela. "Mas ela é uma pessoa sem função na vida. Aliás, nem sei direito do que essa família vive, porque os concursos não parecem dar dinheiro, muito menos os shows do pai", diverte-se.

 

Tão vaidosa, Íntima deu o nome de Beleza para a filha. E a vaidade exagerada, coisa deplorável, pode ser muito engraçada. "Ela arma barraco quando a Belezinha não ganha, só vê a filha na frente dela. E está sempre pensando nos vestidos, nos penteados...", adianta Bruna.

 

Sendo assim, é claro que nenhum pretendente será bom o bastante. Muito menos o mulherengo do pedaço, Agenor (Fiuk), por quem Belezinha é apaixonada. É um dos pontos que vão instalar conflito entre as duas. "Acho que ela participa dos concursos para agradar à mãe, mas também porque faz bem para o ego dela", arrisca Bruna, que frequentou concursos de miss para compor a personagem. "Vi que as meninas são como Belezinha, que querem ser adolescente, namorar e tudo o mais, mas que de alguma forma se realizam naquele universo, gostam de representar suas cidades e do papel das misses, mesmo que tenham influência de suas mães."

 

A história de mãe e filha da ficção esbarra, de certa forma, na trajetória profissional das duas atrizes. Tanto Elizangela quanto Bruna estrearam ainda crianças e se firmaram como atrizes mirins - mas elas se apressam em dizer que suas mães não têm nada a ver com a Íntima. "Nunca sofri como a Belezinha. Fiquei mais tímida agora, mas quando era criança, adorava posar para foto e vir fazer novela era muito divertido pra mim", conta Bruna.

 

"As coisas foram acontecendo pra mim, e eu sou de uma época em que não havia muita criança na TV - depois é que vieram a Glória Pires e a Isabela Garcia, por exemplo. Quando vi, a profissão já tinha me escolhido", resume Elizangela.

 

ENTREVISTA

 

Elizangela

Atriz volta às novelas como a Íntima de Aquele Beijo

 

 

Apesar de a Íntima ser o tipo de mulher que se projeta na filha, ela parece bem divertida. É isso mesmo?

 

Ela é divertida, mas não sei se é bem-humorada, não... Não vejo a Íntima como uma pessoa feliz, pra cima, como as personagens que costumo fazer. Só pelo aspecto de ela viver uma vida sem função, que se resume à filha, já acho que ela não é feliz.

 

É tragicômica.

 

É. A gente percebe nas entrelinhas que ela tem uma coisa de meiga, mas que é muito manipuladora. Ela tem várias características de uma pessoa que não vive dentro do padrão que eu chamo de felicidade. Evidentemente, é um dos lados engraçados da novela, porque a família é hilariante. Eles se vestem como nos anos 60, o marido é cover de Elvis. E aquela garota, coitada, que vive penteada e maquiada? Não dá pra ser feliz daquele jeito.

 

Em A Lua Me Disse, o Miguel Falabella te deu a Assunta. Agora, você é a Íntima. De onde será que ele tira esses nomes?

 

Ah, isso é coisa do Miguel! Uma delícia, porque é muito teatral. É um humor constante e direto, você acha graça desde os nomes.

 

Tem alguma experiência nesse universo das misses?

 

Não, é absolutamente estranho. O máximo de experiência que tive foi quando concorri como A Mais Bela Estudante. Não ganhei, não. Mas fiquei em segundo lugar...

 

Há tentativa de revival desses concursos.

 

Sim, de um tempo pra cá a gente voltou a ouvir falar. Mas acho que já perdeu muito do glamour. E agora as misses são muito fabricadas. Antes, as ambições eram outras. Eu era bem garota, mas me lembro de ouvir comentários de que as moças que participavam poderiam conquistar um bom casamento ou quem sabe sair dali para uma carreira - tudo dentro de uma outra perspectiva, bem menos agressiva que a de hoje.

 

Você era criança quando começou a atuar. Foi tranquilo ou teve problemas, como a Belezinha?

 

A minha mãe não era como a Íntima, não. Na verdade, a TV me escolheu: fui assistir a um programa na TV Excelsior e um produtor me disse "preciso de uma menina como você, cadê a sua mãe?". Eu tinha 7 anos. Quando vi, já era a minha profissão.

 

Sempre me chamou a atenção o fato de você não usar sobrenome. Como foi essa decisão de ser simplesmente Elizangela?

 

Bem no início, eu usava o Vergueiro. Um dia, o Moacyr Deriquém disse para minha mãe que deveria ser só Elizangela, porque era um nome muito incomum. Seria mais fácil de lembrar.

 

E hoje deve ter muita Elizangela por aí por sua causa.

 

Muitas, não! São todas por minha causa, no Brasil todo, e de uma geração que tem no máximo 35 anos. Tanto é que quando conheço uma, vou logo perguntando "quem gosta de mim, é seu pai ou sua mãe?".

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