Na mira de predadores, no planeta terror

Adrien Brody e Alice Braga estrelam aventura escrita por Robert Rodriguez

Entrevista com

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2010 | 00h00

Existem filmes que críticos deveriam ser proibidos de ver. É brincadeirinha, claro, mas ninguém, em sã consciência, espera que se leve Predadores (muito) a sério. E olhem que até se pode, só não dá para exagerar. O começo do filme que estreou ontem tem algo a ver com Encontro Explosivo. Na divertida aventura com Tom Cruise e Cameron Diaz, o diretor James Mangold em momento algum se preocupa em explicar o que está ocorrendo com sua dupla de protagonistas. O melhor exemplo é a cena em que Cameron, meio desfalecida, recobra a consciência para ver seu parceiro pendurado de cabeça para baixo. Cruise mal tem tempo de dizer que ela não se preocupe, que está tudo bem. Cameron desfalece de novo e, na sequência, ao acordar, Cruise e ela estão em fuga, sem que Mangold explique como saíram daquela situação crítica. O diretor faz muito bem. Em geral, as explicações são óbvias e banalizam 99% da produção de filmes de ação de Hollywood.      

 

 

Trailer trailerVeja cenas do filme Predadores

 

Predadores começa de forma tão acelerada quanto nonsense. Adrien Brody está em queda livre, também desfalecido. Ele volta a si para descobrir a urgência - e precariedade - de sua situação. Desespera-se, na tentativa de abrir o pára-quedas, que só funciona no último momento, mas não a tempo de evitar a pesada queda por meio de galhos de árvores, numa espessa floresta, que o deixa todo rebentado no solo. Como o personagem, o espectador também não entende nada e o nonsense continua. Brody descobre outras pessoas na mesma situação que ele. Forma-se um grupo heterogêneo, incluindo a estrela brasileira mais bem sucedida em Hollywood, na atualidade, Alice Braga. O grupo é caçado por uma espécie de cães espaciais, muito bizarros. A esta altura, já se passaram uns 15 minutos e nada de aquilo fazer sentido. Só adrenalina. Seguindo em frente, aos trambolhões, como o próprio filme, o grupo chega ao limiar de um penhasco. Os atores olham para a frente, não propriamente para a câmera, com cara de espantados e o diretor então mostra o que veem. Luas, um céu tenebroso. A ação de Predadores passa-se num outro planeta.

Ele é habitado por predadores como aquele do filme famoso de John McTiernan, com Arnold Schwarzenegger, de 1987. Logo surge uma explicação, a única do filme. O grupo, integrado na maioria por militares - sobreviventes profissionais -, foi lançado neste planeta para servir de alvo na caçada dos predadores. O que os une é o fato de serem, eles próprios, predadores, mas isso o público só descobre com a evolução da trama, com direito a revelações e reviravoltas. Há até uma citação ao clássico de McTiernan, o que levanta a interrogação - conseguirão nossos heróis sobreviver nesse mundo tão selvagem? Conseguirão achar uma saída? Para saber isso você precisará aguardar o 2, que ainda não se sabe se será feito.

No set de The Rite, em Budapeste - visitado pelo Estado na semana passada -, Alice Braga disse que sempre quis fazer um filme de pura ação, já que Eu Sou a Lenda, com Will Smith, por exemplo, não se enquadrava no formato. Ela contou como se preparou para as cenas físicas. Não era fácil carregar uma arma que pesava seis quilos. Alice fez musculação e depois, inversamente, adotou procedimentos - como uma dieta especial - para perder os músculos, que não interessavam à construção de sua personagem em The Rite, que trata de exorcismo. Predadores foi escrito por Robert Rodriguez, que também esperava dirigir o filme, mas foi substituído por Nimrod Atal, de Controle. Considerando-se o resultado alcançado por Rodriguez em Planeta Terror, foi melhor assim. A escalação de atores como Brody, vencedor do Oscar - por O Pianista -, Alice e Topher Grace ajuda. Eles trazem uma história (densidade?) para personagens que não tinham nenhuma.

PREDADORES

Nome original: Predators, Direção: Nimród Antal. Gênero: Ficção científica (EUA/ 2010, 107 minutos). Censura: 16 anos.

 

 

 

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