Na Galeria Olido, espetáculo expressa o sentido da revolta

No livro "Sentido e Contra-Senso da Revolta", a psicanalista francesa Julia Kristeva alerta: ´A própria noção da cultura como revolta e da arte como revolta está ameaçada, submergidos que estamos pela cultura-divertimento, pela cultura-performance, pela cultura-show.´ E, mais adiante no texto, afirma: ´Somente uma experiência de revolta seria capaz de nos salvar da robotização da humanidade que nos ameaça.´ Com base nas palavras de Julia Kristeva e no artigo "O Performer", de Jerzy Grotowski, a bailarina Carmen Gomide coreografou "(Re)volta", que estréia nesta quinta-feira para convidados na Galeria Olido.O trabalho é sofisticado nas idéias, ao discutir o conceito de revolta ao longo dos séculos e de arte, e também por sua produção: conta com a direção da premiada Mariana Muniz, trilha sonora de José Luiz Martinez executada ao vivo pelo Quarteto de Cordas Nóbilis e o percursionista Joaquim Abreu e um poema inédito de Alice Ruiz. ´Tudo começou com a leitura do texto de Julia Kristeva. Achei interessante a análise que ela faz da epistemologia da palavra revolta, a riqueza de seus significados´, diz Carmen.A intérprete-criadora optou pelo sentido de revisitar, de voltar ao conhecimento, daí o parênteses antes do título, "(Re)volta". ´Esse é o fio condutor da pesquisa coreográfica que levou um ano para ser concluída. A revolta também está presente no espetáculo no sentido que conhecemos hoje, quando rejeitamos elementos impostos pelo cotidiano ou a cultura-show, por exemplo.´ O texto de Grotowski surge na observação do artista como uma mídia, que cria pontes com o público.´Conversando com a Mariana Muniz, achamos interessante apresentar as idéias do espetáculo de uma outra maneira. Convidamos a poeta Alice Ruiz. Ela acompanhou os ensaios e leu todos os textos. Depois de quatro meses, entregou o poema.´Para fechar as diferentes visões de "(Re)volta", no domingo, o professor da PUC Cassiano Sydow Quilici discutirá com os artistas e com a platéia todo o processo de criação. Carmen também participa de um projeto importante para a categoria, a Cooperativa Paulista de Dança. Em fase de estruturação, a entidade visa a integração de bailarinos, sem preconceitos quanto às áreas de atuação. Em novembro os artistas promoverão uma feira de artes para inaugurar a Cooperativa. (Re)volta. Galeria Olido (139 lug.). Avenida São João, 473, 3331-8399. 6.ª e sáb., 20 h; dom., 19 h. Grátis. Até 24/9. Estréia hoje, para convidados

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